Operação Fake Eagle: Polícia Civil cumpre prisões em Cuiabá contra grupo investigado por tentativa de fraude eletrônica no RS

Três pessoas foram presas em Cuiabá por tentativa de golpe contra empresa de Esteio; grupo usou imagem de diretor e número com DDD 51.

Nesta terça-feira (1º), três pessoas foram alvos de mandados de prisão preventiva em Cuiabá, capital de Mato Grosso, sob a suspeita de integrarem uma organização criminosa especializada em fraudes eletrônicas. A ofensiva policial integra a Operação Fake Eagle, deflagrada pelo Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos da Polícia Civil do Rio Grande do Sul.

A investigação teve início após uma tentativa de golpe direcionada a uma empresa sediada no município de Esteio (RS). Na ocasião, um dos criminosos utilizou a fotografia de um diretor da companhia e um número telefônico com DDD 51 via WhatsApp para abordar uma funcionária do setor financeiro, exigindo a realização de uma transferência bancária urgente no valor aproximado de R$ 29 mil.

Continue lendo

Modus Operandi e Atuação da Quadrilha

De acordo com o inquérito policial, as mensagens fraudulentas foram disparadas em 8 de janeiro do ano passado. A gerente financeira responsável pelo atendimento percebeu inconsistências na abordagem e na linguagem utilizada, identificando que o tom divergia do comportamento habitual do executivo, o que evitou a concretização da transferência financeira.

  • Engenharia Social e Números de Fachada: A análise cibernética revelou que, além do terminal telefônico acionado no contato direto, outros 14 números com DDD gaúcho operavam nos dispositivos investigados, estratégia adotada para conferir credibilidade às abordagens aplicadas contra vítimas no Rio Grande do Sul.
  • Divisão de Tarefas: As apurações apontam que um homem atuava como o principal operador da estrutura — gerenciando contas digitais, terminais móveis e a conta de destino dos valores. Uma mulher era responsável pela infraestrutura lógica de conexões de internet, enquanto o terceiro investigado controlava acessos diretos à conta bancária ilícita.
  • Monitoramento em Revezamento: Registros telemáticos mostraram que a conta indicada para o recebimento do montante foi acessada em sequência pelos três suspeitos no mesmo dia da tentativa de estelionato, sugerindo um esquema coordenado de vigilância sobre a movimentação financeira.

Apreensões e Recomendações de Segurança

Simultaneamente às prisões preventivas, as equipes policiais cumpriram quatro mandados de busca e apreensão em endereços residenciais localizados em Cuiabá. Os agentes recolheram aparelhos celulares, computadores, chips de operadoras, cartões bancários, documentos e mídias de armazenamento, que passarão por perícia técnica para identificar a extensão das fraudes e eventuais novas vítimas.

Os suspeitos responderão criminalmente pelos delitos de estelionato mediante fraude eletrônica na forma tentada e associação criminosa. Diante da recorrência desse tipo de golpe, a Polícia Civil reforça orientações fundamentais para empresas e cidadãos:

  • Confirmação Dupla: Solicitações urgentes de transferência feitas por aplicativos de mensagens devem ser validadas obrigatoriamente por meio de ligação telefônica convencional ou canal corporativo pré-estabelecido, especialmente quando houver o uso de números desconhecidos.
  • Conferência de Dados: Antes de efetivar qualquer transação via Pix ou TED, é essencial verificar minuciosamente o nome e o CPF/CNPJ do titular da conta de destino.
  • Protocolos Internos: Organizações devem instituir políticas rígidas de dupla conferência para ordens financeiras emitidas por diretores e gestores.
Google Notícias
Siga o CenárioMT

Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.