A articulação política e o planejamento orçamentário para reestruturar as redes de atendimento básico e a logística de ensino no interior do estado concentraram a agenda institucional do Poder Executivo. Em audiência técnica realizada nesta quarta-feira (27) no Palácio Paiaguás, em Cuiabá, prefeitos e comitivas de 18 municípios da região Sul de Mato Grosso apresentaram um diagnóstico das demandas prioritárias nas áreas de saúde pública e educação, pleiteando convênios e liberação de recursos do Tesouro Estadual.
A reunião de trabalho serviu para alinhar as frentes de investimentos estruturais diante do passivo acumulado nas pequenas e médias cidades, que dependem diretamente de aportes do Estado para manter serviços essenciais. Na mesa de negociações, o Executivo e as prefeituras começaram a desenhar um cronograma de execução financeira para a construção de creches, edificação de Unidades Básicas de Saúde (UBS) e a modernização dos veículos de transporte de estudantes nas zonas rurais.
Região Sul de Mato Grosso necessita de 20 novos postos de saúde para atingir cobertura integral
O levantamento minucioso realizado pelas equipes técnicas da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) e da Secretaria de Estado de Educação (SEDUC-MT), em conjunto com os municípios, revelou gargalos importantes na infraestrutura local. Para que os 21 municípios que integram o cinturão Sul do estado alcancem a cobertura assistencial integral na atenção primária, será necessária a construção de, no mínimo, 20 novos postos de saúde. O relatório apontou ainda que a frota de ônibus usada no transporte escolar rural apresenta sinais severos de desgaste, demandando substituição urgente.
O prefeito de Juscimeira, Alexandre Russi, elogiou a postura da administração estadual, classificando o modelo de gestão como municipalista por abrir as portas do Palácio Paiaguás para a construção de soluções compartilhadas. No mesmo sentido, o prefeito de Primavera do Leste, Sérgio Machinic, defendeu que o alinhamento direto permite fixar metas técnicas e estabelecer prioridades orçamentárias reais, enquanto a prefeita de Pedra Preta, Iraci Fernanda, sublinhou que a descentralização do diálogo confere voz ativa às demandas específicas de cada comunidade local.
Os principais eixos e diagnósticos mapeados na reunião do consórcio Sul reúnem:
- Déficit Assistencial: Necessidade imediata de construir 20 novos postos de saúde na região;
- Logística Escolar: Demanda para substituição e renovação de ônibus e micro-ônibus do transporte de alunos;
- Articulação Política: Presença de 18 prefeitos da região Sul em debate direto com o corpo técnico do Estado;
- Pacto de Cooperação: Proposta governamental para fixar metas mútuas e divisão de custos nas obras municipais.
Pivetta propõe pacto de cooperação mútua com prefeituras para acelerar repasses e obras
Para assegurar que as demandas apresentadas saiam do papel sem travar na burocracia dos processos licitatórios, o governador Otaviano Pivetta propôs formalmente a celebração de um pacto de cooperação mútua entre o Estado e os municípios da região Sul. A estratégia do governo prevê o estabelecimento de metas casadas e contrapartidas municipais proporcionais à arrecadação de cada prefeitura, agilizando o repasse de verbas e a fiscalização técnica das obras.
Com o pacto de cooperação sinalizado, a equipe econômica do Estado deve iniciar nos próximos dias a análise de viabilidade orçamentária para a liberação das primeiras emendas e ordens de serviço. Os consórcios intermunicipais de saúde da região Sul também deverão ser acionados para gerenciar de forma compartilhada a contratação de profissionais e a compra de insumos para as futuras instalações médicas, otimizando o gasto público regionalizado ao longo de 2026.
| Raio-X das Demandas da Região Sul | Diagnóstico Técnico e Metas Alinhadas (MT – 2026) |
|---|---|
| Representação de Gestores no Encontro | 18 prefeitos presentes na reunião em Cuiabá |
| Meta de Expansão para a Saúde | Construção de aproximadamente 20 novos postos de saúde |
| Gargalo Identificado na Educação | Necessidade crônica de renovação da frota de transporte escolar |
| Modelo de Parceria Proposto | Pacto de cooperação técnica e financeira com metas conjuntas |
| Unidade de Atendimento Focada | Atenção primária, creches e infraestrutura nos 21 municípios |
O diálogo direto entre os prefeitos do Sul e o Palácio Paiaguás demonstra que o fortalecimento dos pequenos municípios passa obrigatoriamente por uma descentralização eficiente dos recursos do Estado, evidenciando que construir postos de saúde e garantir ônibus novos no interior é a forma mais justa de devolver a riqueza gerada por Mato Grosso em benefícios reais para a população que mais precisa, embora críticos do centralismo político ponderem que a dependência excessiva das prefeituras em relação às verbas estaduais reflete uma falha crônica na distribuição do bolo tributário — onde os municípios assumem a execução pesada de serviços de saúde e educação, mas ficam de pires na mão dependendo da boa vontade política do governador para liberar verbas básicas que deveriam ser repassadas de forma automática e carimbada. Você considera que o Governo do Estado deve condicionar o repasse de recursos à assinatura de pactos de metas com as prefeituras, ou acredita que o dinheiro para saúde e transporte escolar deveria ser transferido de forma direta e sem exigências burocráticas aos municípios? Participe do debate e deixe seu comentário abaixo.
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