Conectividade nas aldeias de Santo Antônio de Leverger revoluciona saúde indígena

Para os moradores, o impacto vai além da técnica médica; trata-se de um ganho em dignidade e cidadania.

A implementação de internet de alta velocidade nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) das aldeias Piebágas e Arareal, em Santo Antônio de Leverger, está transformando o atendimento médico em comunidades tradicionais de Mato Grosso. A chegada da conexão estável encerrou um período de isolamento comunicativo, permitindo que emergências sejam reportadas em tempo real. Agora, o acionamento de ambulâncias e a consulta a médicos especialistas em polos distantes, como Rondonópolis, ocorrem de forma imediata, reduzindo drasticamente os riscos de complicações fatais por falta de socorro.

A mudança é celebrada por lideranças locais, como a cacica Rose Waigarureudo, que destaca a segurança trazida pela tecnologia, especialmente no cuidado com crianças e idosos. Antes da conectividade, casos graves frequentemente se agravavam devido à demora no deslocamento ou na busca por sinal em áreas remotas. Hoje, a internet funciona como uma ferramenta de telemedicina rudimentar, mas eficaz, onde orientações clínicas podem ser transmitidas instantaneamente enquanto o suporte físico não chega à aldeia, garantindo um desfecho positivo para as ocorrências.

Essa iniciativa faz parte do programa Wi-Fi Brasil, uma parceria entre o Ministério das Comunicações e a Telebras, que já conectou 60 unidades de saúde indígena no estado. Utilizando tecnologia via satélite e terrestre, o projeto foca em regiões de vulnerabilidade social onde a infraestrutura convencional não alcança. Segundo o governo, a inclusão digital é um pilar indispensável para a saúde pública moderna, pois permite que o serviço chegue ao cidadão em seu território, respeitando sua cultura e evitando deslocamentos desnecessários para os centros urbanos.

Para os moradores, o impacto vai além da técnica médica; trata-se de um ganho em dignidade e cidadania. A possibilidade de os médicos virem até a aldeia após um chamado digital humaniza o tratamento e fortalece a confiança na rede pública de saúde. Com a meta de conectar mais de 1.100 unidades remotas em todo o país até o fim de 2025, o programa reforça a ideia de que a conectividade é, acima de tudo, uma ferramenta de proteção à vida e redução de desigualdades históricas no acesso aos serviços essenciais.

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