Chantagem com fotos íntimas: saiba o que é a “sextorsão” e como agir para se proteger em Mato Grosso

Juíza da Vara de Violência Doméstica de Cuiabá alerta para o impacto psicológico das ameaças e orienta vítimas e pais de menores a acionarem a polícia imediatamente

Sabe aquele tipo de violência que não deixa roxo na pele, mas destrói o sono de qualquer um? A chantagem com fotos ou vídeos íntimos — apelidada no ambiente digital como sextorsão — vem fazendo cada vez mais vítimas pelas redes sociais e aplicativos de mensagem em Mato Grosso.

O termo pode até soar novo e não ter um artigo específico no Código Penal com esse nome, mas a prática é antiga, perversa e enquadrada como crime grave na Justiça mato-grossense.

Em entrevista ao podcast Prosa Legal, da Rádio TJMT, a juíza Tatyana Lopes de Araújo Borges, da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Cuiabá, foi direta ao ponto: esse tipo de coerção funciona como uma verdadeira tortura psicológica.

E vale um lembrete fundamental: ter enviado uma foto ou vídeo de forma voluntária durante um relacionamento jamais dá ao outro o direito de divulgar ou usar esse material para fazer chantagem.

Como a lei enquadra essa chantagem?

A forma como a polícia e os juízes em Mato Grosso tratam o caso depende da intenção de quem está ameaçando:

  • Pediu dinheiro? É extorsão: Se a pessoa exige Pix, valores em dinheiro ou qualquer vantagem econômica para não “vazar” o conteúdo, o crime é de extorsão (com pena de prisão);

  • Quer causar mal ou chantagem emocional? É ameaça: Quando a intenção é chantagear após o fim do namoro, reatar o relacionamento à força ou simplesmente humilhar a vítima, a prática é enquadrada como crime de ameaça e violência psicológica.

O que fazer se você for vítima em Mato Grosso?

A recomendação das autoridades policiais e do Judiciário de Mato Grosso é clara: nunca ceda à pressão.

  1. Não pague e não envie mais nada: Ceder só faz o chantagista aumentar a cobrança e se sentir impune;

  2. Junte as provas: Faça capturas de tela (print screens) das conversas, guarde os números de telefone, os perfis em redes sociais e os links envolvidos. Não apague o histórico;

  3. Procure a polícia imediatamente: A Justiça dispõe de mecanismos rápidos para bloquear o vazamento de arquivos e punir os responsáveis. Em Mato Grosso, a vítima pode procurar qualquer Delegacia da Polícia Civil, as Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher (DEDM) ou a Delegacia Especializada de Repressão a Crimes de Informática (DRCI).

Atenção dobrada com adolescentes

Entre os mais jovens, a sextorsão costuma ser usada por criminosos para exigir o envio de ainda mais imagens. Nesses casos, o acolhimento dentro de casa é o passo mais importante.

Muitas vezes, por medo de bronca ou vergonha dos pais, crianças e adolescentes guardam o segredo sozinhos — o que pode desencadear ansiedade e depressão grave. A orientação para os pais mato-grossenses é acolher o filho sem julgamentos, tranquilizá-lo e levar o caso direto à delegacia.

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