A investigação sobre possíveis irregularidades na aplicação de recursos da ALNA (Associação Luverdense de Natação) provocou debate entre vereadores durante a sessão da Câmara Municipal de Lucas do Rio Verde, nesta quinta-feira (29). A ALNA é responsável pelo projeto Nós Podemos Nadar, que atende mais de mil pessoas entre crianças e adolescentes. Enquanto Hélio Kaminski (PL) apresentou questionamentos sobre despesas da entidade e afirmou ter encaminhado uma denúncia ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Jackson Lopes (PRD) ressaltou a importância social do projeto e os impactos da suspensão temporária de repasses para os atletas.
Segundo Hélio Kaminski, a denúncia apresentada ao Ministério Público reúne nove pontos que, na avaliação dele, precisam ser esclarecidos. O vereador afirmou que a investigação está em andamento e criticou a tentativa de atribuir a ele a responsabilidade pelas dificuldades financeiras enfrentadas pela associação.
“Não é legal transmitir a culpa de um recurso que está bloqueado para o denunciante”, declarou o parlamentar durante manifestação à imprensa após a sessão.
Hélio também afirmou que a apuração precisa avançar para esclarecer os questionamentos levantados. Segundo ele, a instauração do procedimento pelo Ministério Público demonstra a necessidade de verificar as informações apresentadas, sem que isso represente, por si só, a comprovação de irregularidades.
Jackson Lopes destaca impacto para os atletas
Também ouvido pela imprensa após a sessão, o vereador Jackson Lopes reconheceu que a denúncia está sendo apurada pelo Ministério Público e afirmou que Hélio Kaminski tem o direito de buscar esclarecimentos sobre a aplicação de recursos.
No entanto, Jackson ressaltou a contribuição da Associação Luverdense de Natação para o município, especialmente no atendimento a crianças e adolescentes que praticam a modalidade.
Segundo ele, a ausência de um termo de convênio, enquanto se aguarda o esclarecimento dos questionamentos apresentados, impede a realização de repasses públicos à entidade. Com isso, a associação enfrenta dificuldades para custear a participação dos atletas em competições e manter outras atividades previstas.
“Eu acredito muito que a associação contribui bastante com o município”, afirmou Jackson, ao defender que a situação seja esclarecida para que as atividades possam seguir normalmente.
O vereador também contestou a afirmação de que a associação teria se recusado a prestar contas a Hélio Kaminski. Segundo Jackson, os repasses de recursos públicos podem ser consultados no Portal da Transparência.
Ele ponderou, porém, que recursos provenientes de patrocínios privados têm natureza distinta dos repasses públicos e que a prestação de contas desses valores deve ser analisada conforme sua origem e as obrigações aplicáveis.
Jackson acrescentou que os integrantes da associação atuam voluntariamente e manifestou confiança de que a investigação esclarecerá os questionamentos apresentados.
Vereador questiona despesas e prestação de contas
Entre os pontos mencionados por Hélio Kaminski estão despesas com compras em supermercados realizadas em 2024. De acordo com o vereador, em dois meses não consecutivos daquele ano, os gastos teriam ultrapassado R$ 400 mil em compras concentradas em uma única rede de supermercados.
O parlamentar também questionou a aquisição de mais de uma tonelada de carne no período mencionado, alegando que não teriam sido realizados eventos que justificassem o volume de compras.
Outro ponto levantado por Hélio diz respeito à prestação de contas relacionada à construção de uma piscina adaptada para pessoas com deficiência (PCD) na Escola Municipal Vinícius de Moraes.
O vereador afirmou que solicitou informações à associação sobre a obra há alguns meses, mas, segundo ele, não recebeu resposta.
Hélio informou que pretende divulgar os detalhes dos questionamentos apresentados durante a sessão em suas redes sociais.
As informações citadas pelo parlamentar correspondem a alegações que ainda precisam ser verificadas no âmbito da investigação. Não há, nas declarações apresentadas durante a sessão, confirmação de que tenha ocorrido desvio de recursos ou de que os responsáveis pela entidade tenham cometido irregularidades.
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