Um incêndio de grandes proporções em um secador de grãos mobilizou as equipes da 11ª Companhia Independente Bombeiro Militar (11ª CIBM) por mais de nove horas consecutivas. O incidente técnico ocorreu na noite de quarta-feira (17), em um complexo de armazenamento e processamento de uma empresa do agronegócio localizada às margens da rodovia BR-070, no Distrito Industrial de Campo Verde. Apesar da magnitude das chamas e do risco estrutural, não houve registro de feridos.
De acordo com o relatório operacional da corporação, o acionamento de emergência foi registrado por volta das 19h. Ao chegarem ao endereço indicado, as guarnições de combate depararam-se com a torre do secador vertical completamente tomada pelo fogo, alimentado pela combustão do material orgânico e pela ventilação forçada interna do maquinário.
Canhão monitor e rede de hidrantes de vizinhos contêm o fogo
Dada a altura da estrutura e o volume calórico gerado, os militares da 11ª CIBM montaram uma linha de ataque agressiva utilizando o canhão monitor acoplado à viatura Auto Bomba Tanque (ABT), equipamento de alta vazão indicado para sinistros industriais de grande porte. Simultaneamente, equipes secundárias realizaram o resfriamento preventivo das moegas, silos metálicos e armazéns vizinhos para evitar a propagação por irradiação térmica.
A operação demandou uma logística complexa de reabastecimento de água. Uma indústria vizinha disponibilizou sua rede privada de hidrantes industriais para alimentar as viaturas dos bombeiros, e caminhões-pipa de cooperativas e empresas locais integraram o comboio de suporte técnico, garantindo o fluxo contínuo de pressão nas mangueiras durante toda a madrugada.
Risco de reignição exigiu rescaldo prolongado na torre de secagem
Os secadores de grãos são peças-chave no escoamento da safra de commodities como soja, milho e sorgo em Mato Grosso, operando na redução da umidade para viabilizar o armazenamento seguro. Contudo, o acúmulo de películas, poeira suspensa e a alta temperatura interna criam um ambiente propício para incêndios de difícil combate, já que a massa de grãos compactada retém calor em profundidade.
Por essa razão, após o controle das chamas principais, os bombeiros dedicaram a maior parte do tempo ao exaustivo trabalho de rescaldo. O procedimento envolveu a movimentação mecânica dos grãos queimados e a aplicação cirúrgica de água para eliminar focos de brasa ocultos, mitigando o risco de reignição espontânea.
Perícia técnica deve avaliar causas do sinistro industrial
A ocorrência foi oficialmente encerrada na madrugada de quinta-feira, sem que nenhum funcionário ou militar sofresse lesões corporais. A empresa opera com planos de contingência e brigada interna, o que auxiliou nos primeiros minutos do isolamento da área.
As causas que deflagraram o início do fogo na torre de secagem ainda não foram estabelecidas de forma oficial. O leito do maquinário industrial deverá passar por uma perícia técnica de engenharia e segurança do trabalho para avaliar se o sinistro foi provocado por superaquecimento mecânico, falha nos termostatos ou curto-circuito nos motores de exaustão.
Reportagem baseada em diários de bordo de combate a incêndios industriais da 13ª CIBM de Campo Verde e dados operacionais unificados do CBMMT.
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