A Associação Mato-grossense de Pesquisa e Apoio à Adoção (Ampara) representou Mato Grosso no Seminário Minha Vida Fora do Acolhimento 3, realizado em Belo Horizonte (MG). O encontro ocorreu nos dias 29 e 30 de setembro, na PUC Minas, e reuniu representantes de diferentes setores para discutir a transição de jovens que deixam os serviços de acolhimento.
Promovido pelo Movimento Nacional Pró-Convivência Familiar e Comunitária, pelo Movimento Além do Acolhimento e pelo Providens, o seminário chegou à terceira edição com a participação de jovens egressos, adolescentes próximos da saída do acolhimento, organizações sociais, Poder Executivo, Poder Judiciário e Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Jovens ganham espaço no debate
O objetivo foi discutir políticas públicas já existentes e medidas que ainda precisam ser criadas para garantir mais dignidade a quem chega à vida adulta após uma trajetória marcada pela institucionalização.
Pelo terceiro ano seguido, a Ampara participou da iniciativa. Em 2025, a entidade levou dois jovens que haviam deixado o serviço de acolhimento. Nesta edição, a representante foi Letícia Silva, que compartilhou sua experiência e defendeu a presença dos próprios jovens na construção das políticas que os envolvem.
Para Letícia, a participação de quem viveu o acolhimento é essencial, pois esses jovens conhecem de perto as dificuldades enfrentadas durante e depois da institucionalização.
Segundo ela, a experiência de quem passou pelo acolhimento oferece uma visão que não pode ser substituída por documentos ou relatos de terceiros. A participação direta também ajuda a apontar o que poderia ter sido diferente e quais caminhos podem melhorar a transição para a vida adulta.
Plano nacional inclui egressos
O tema central desta edição foi o Eixo 6 do Plano Nacional de Convivência Familiar e Comunitária (PNCFC), voltado aos “Adolescentes e Jovens Egressos de Serviços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes”.
O eixo reforça que o direito à convivência familiar e comunitária não termina quando o jovem completa 18 anos ou deixa uma unidade de acolhimento. A inclusão do tema no plano é apontada como uma conquista para esse público e resulta da mobilização do Movimento Além do Acolhimento.
A Ampara integra o Movimento Nacional Pró-Convivência Familiar e Comunitária, formado por organizações da sociedade civil, docentes, pesquisadores e profissionais que atuam com crianças e adolescentes em situação de acolhimento.
Programas para a saída do acolhimento
Durante o seminário, municípios e instituições apresentaram serviços, programas e projetos voltados à preparação dos adolescentes e à transição para a vida adulta. A mudança ocorre quando eles deixam de ser atendidos pelos serviços de acolhimento destinados a crianças e adolescentes, conforme as regras da Política de Assistência Social.
Entre as iniciativas apresentadas esteve o Programa Novos Caminhos, apresentado pela juíza federal Mara Lina do Carmo, representante do CNJ. A ação oferece oportunidades de emprego para jovens que deixam as unidades de acolhimento.
Seminário também teve lançamento de livros
O encontro também marcou o lançamento de três e-books, disponibilizados no site Convivência. Um deles foi o caderno de boas práticas “PRISMA – Histórias que se encontram e se propagam”, que reúne ações e projetos desenvolvidos no país, incluindo uma iniciativa realizada pela Ampara. A publicação foi escrita pelas assistentes sociais Eliacir Pedrosa e Denise Campos.
Também foram lançados o livro “Minha Vida Fora do Acolhimento – Depoimentos”, com relatos de jovens e adultos que passaram por serviços de acolhimento, e “Onde se escondeu o afeto?”, de Antônio dos Anjos, atual coordenador do Movimento Além do Acolhimento.
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