Mato Grosso terá etapa experimental do Censo Agropecuário antes de levantamento nacional

Barra do Bugres está entre as localidades selecionadas para testar procedimentos do levantamento, que deverá alcançar cerca de 5 milhões de estabelecimentos rurais em 2027.

Mato Grosso está entre os estados que receberão uma etapa experimental do 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola. Os testes serão realizados de 3 de novembro a 4 de dezembro de 2026, em Barra do Bugres, incluindo as Terras Indígenas Umutina e Figueiras. A iniciativa vai avaliar sistemas, metodologias e procedimentos de campo antes da coleta nacional, prevista para 2027.

A preparação do levantamento foi apresentada nesta terça-feira (27), durante evento realizado no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em que também foi lançado o Cadastro Prévio de Estabelecimentos Agropecuários, ferramenta desenvolvida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para atualizar a base cadastral que servirá de apoio à pesquisa.

O Censo Agropecuário é uma das principais fontes de informações sobre a estrutura produtiva rural brasileira. Os dados ajudam a compreender as características dos estabelecimentos, as atividades desenvolvidas no campo e a organização da produção, além de subsidiar estudos e políticas públicas voltados ao setor.

Barra do Bugres está entre as localidades selecionadas

Além de Barra do Bugres, em Mato Grosso, o Censo Experimental será realizado em Rio Claro, em São Paulo, e nos municípios de Cururupu e Mirinzal, no Maranhão. No estado maranhense, os trabalhos incluem atividades na Reserva Extrativista Cururupu e no Território Quilombola Santa Tereza.

A escolha das localidades busca contemplar diferentes realidades territoriais e produtivas. Durante o período de testes, o IBGE avaliará os instrumentos de coleta e poderá identificar ajustes necessários antes da realização do levantamento em todo o país.

Paralelamente, o instituto promoverá Testes de Ambientação em 24 unidades da Federação para verificar equipamentos, sistemas, fluxos operacionais e procedimentos de supervisão.

A inclusão de Barra do Bugres coloca Mato Grosso entre os locais que contribuirão para testar a operação censitária. A fonte, porém, não informa quais municípios do estado participarão da coleta nacional nem se Lucas do Rio Verde estará entre eles.

Cadastro prévio poderá ser preenchido até agosto de 2027

O Cadastro Prévio de Estabelecimentos Agropecuários permitirá que produtores rurais e instituições parceiras contribuam para a atualização da base cadastral do Censo.

O preenchimento poderá ser feito de outubro de 2026 a agosto de 2027, por meio da página oficial do IBGE, com acesso por uma conta gov.br.

Cadastro oficial: acesse a página do IBGE.

Além dos produtores rurais, cooperativas, associações, sindicatos rurais e escritórios de contabilidade poderão participar por meio de perfil institucional. Essas entidades poderão registrar estabelecimentos vinculados ou encaminhar informações consolidadas, conforme os procedimentos definidos pelo instituto.

O cadastro tem finalidade exclusivamente estatística e não substitui o Cadastro Ambiental Rural (CAR), o Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR) nem outros registros de imóveis rurais.

As informações ajudarão o IBGE a organizar o trabalho de campo e identificar os estabelecimentos que deverão integrar o levantamento.

Censo de 2027 deverá alcançar 5 milhões de estabelecimentos

Com o lema “Juntos vamos colher a maior safra de dados do Brasil”, o 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola deverá alcançar cerca de 5 milhões de estabelecimentos agropecuários em todos os municípios brasileiros. A operação também prevê a geração de aproximadamente 35 mil empregos temporários.

O levantamento atualizará as informações sobre a realidade rural brasileira, tendo como referência os dados do Censo Agropecuário de 2017. Entre os temas pesquisados estarão as características dos estabelecimentos e as atividades agropecuárias, florestais e aquícolas desenvolvidas.

Os resultados poderão subsidiar a formulação e a avaliação de políticas públicas, o planejamento do setor e a elaboração de estudos sobre a produção rural.

Dados devem apoiar políticas públicas para o campo

Durante a apresentação, o secretário de Política Agrícola do Mapa, Guilherme Campos, destacou a importância do levantamento para conhecer a realidade do campo brasileiro e orientar ações governamentais.

“Esse raio-X é absolutamente fundamental”, afirmou, ao defender a produção de informações que representem os diferentes produtores rurais e as diversas atividades desenvolvidas no país.

O presidente do IBGE, Márcio Pochmann, ressaltou a contribuição histórica dos censos para compreender as transformações brasileiras. Segundo ele, os dados também são relevantes para estudos sobre as relações comerciais e a evolução da agricultura e da pecuária.

Já a presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Silvia Massruhá, destacou o uso das informações na pesquisa, no desenvolvimento e na inovação. Ela observou que os dados são importantes para embasar estudos e avaliar hipóteses científicas, além de apoiar a elaboração de políticas públicas.

O evento reuniu representantes de órgãos federais e estaduais envolvidos na produção e utilização de informações estratégicas para o desenvolvimento agropecuário.

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