O Galinho de Brasília, bloco carnavalesco criado há 34 anos por pernambucanos que vivem no Distrito Federal, voltou às ruas em 2026 com a proposta de unir tradição e futebol. Com o tema “Galinho na Copa: Frevando rumo ao Hexa”, a agremiação reforça a identidade do frevo e aproveita o ano de Copa do Mundo para relembrar a antiga paixão do brasileiro pelo esporte.
O desfile foi animado pela Orquestra Marafreboi, sob a regência do maestro Fabiano Medeiros, e pela Orquestra do Galinho, comandada pelo maestro Ronald Albuquerque. Em edições anteriores, o bloco já chegou a reunir mais de 100 mil foliões na capital federal.
Natural de Olinda e morando há 21 anos em Brasília, a servidora pública Damísia Lima destaca a importância cultural do ritmo. Segundo ela, o frevo é complexo, exige músicos experientes e reúne diversos instrumentos de sopro e metais marcados por contratempos. Para a foliã, participar do Galinho é uma forma de manter o sotaque e as raízes pernambucanas vivas, mesmo longe do Recife.
O diretor administrativo do bloco, Sérgio Brasiel, afirma que a proposta é preservar a essência do carnaval de Pernambuco em meio à diversidade de estilos que hoje ocupam as ruas. “Nossa intenção é resgatar a tradição do frevo e, neste ano de Copa, também relembrar a paixão pelo futebol”, explica. Ele ressalta que a organização enfrenta desafios burocráticos e que o tempo de preparação, idealmente de três a quatro meses, acabou reduzido a apenas 15 dias.
A professora Célia Varejão, que já viveu o carnaval de Olinda, também participou da festa em Brasília vestindo a camiseta de uma edição antiga do bloco. Admiradora de manifestações populares, ela defende que tanto o carnaval quanto o futebol precisam manter o caráter acessível ao público, criticando os altos preços cobrados em grandes eventos esportivos.
A segurança e o ambiente familiar são apontados como diferenciais do carnaval brasiliense. Damísia afirma preferir o clima mais tranquilo da capital federal em comparação a grandes multidões, como as do tradicional Galo da Madrugada, em Pernambuco. Para ela, o tamanho mais reduzido do evento permite aproveitar melhor a festa.
O servidor público Benedito Cruz Gomes, que frequenta o bloco há cerca de 30 anos, participou da edição ao lado da esposa e das filhas. Ele define o carnaval como um espaço de convivência familiar e celebra a continuidade da tradição entre gerações.
Mesmo morando em Viçosa, Minas Gerais, o produtor de café Guilherme Fontes relembra as primeiras edições do bloco e destaca o ambiente descontraído. Já o engenheiro Alex França, natural de Caruaru, observa que a estrutura do evento evoluiu ao longo dos anos, com reforço na segurança e melhor organização.
Fundado em 1992, o Galinho surgiu como alternativa para pernambucanos que não puderam viajar ao Recife durante um período de dificuldades econômicas no país. A mobilização resultou na criação do Grêmio Recreativo da Expressão Nordestina, responsável por manter viva a cultura nordestina no Distrito Federal. Três décadas depois, o Galinho segue como símbolo da resistência cultural e da celebração do frevo em Brasília.
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