A cidade de Salvador recebe, a partir desta quarta-feira (13), mais uma edição do Bembé do Mercado, considerada a maior celebração de candomblé de rua do mundo. O evento, reconhecido como patrimônio vivo da cultura afro-brasileira, reúne comunidades de terreiros, lideranças religiosas, pesquisadores e artistas em uma programação que se estende até o próximo domingo (17).
A abertura oficial da programação ocorreu no último domingo (10), com uma missa na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Pelourinho, em homenagem ao babalorixá João de Obá, fundador da celebração. Criado em 1889, o Bembé do Mercado surgiu como um ato simbólico de comemoração à abolição da escravidão no Brasil, consolidando-se ao longo do tempo como uma manifestação de resistência e identidade cultural.
Segundo a iabé do Bembé, Ana Rita Machado, professora da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), a festa envolve etapas públicas e reservadas, que fazem parte da tradição religiosa do candomblé. Ela destaca que a programação inclui momentos como alvorada, xirês e rituais de consagração, que antecedem as atividades abertas ao público.
De acordo com a organização, mais de 60 comunidades tradicionais participam da celebração, reforçando o caráter coletivo e religioso do evento. Além do aspecto espiritual, o Bembé também é reconhecido por sua importância histórica na valorização das populações negras e das práticas culturais de matriz africana no Brasil.
Entre os rituais mais aguardados estão a lavagem do busto de João de Obá e a entrega de oferendas a Iemanjá e Oxum. A programação desta quarta-feira inclui a lavagem do busto nas primeiras horas da manhã e o xirê de abertura em homenagem a Xangô no período da noite. Nos dias seguintes, outros rituais seguem a programação, com destaque para o ebó de Oxalá e a chegada dos presentes no mercado.
O encerramento está previsto para o domingo (17), com a entrega das oferendas na praia de Itapema, em um momento que depende das condições da maré. O Bembé do Mercado é reconhecido como patrimônio imaterial da Bahia desde 2012 e como patrimônio cultural do Brasil desde 2019, além de estar em processo de candidatura para reconhecimento internacional pela Unesco.
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