O Indicador de Reincidência de Pessoas Físicas, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e pelo SPC Brasil, revelou que 86,41% das negativações registradas em fevereiro de 2025 foram de consumidores reincidentes — ou seja, pessoas que já haviam figurado nos cadastros de inadimplentes nos últimos 12 meses.
O dado reforça um cenário de endividamento contínuo no país, em que a inadimplência deixa de ser pontual e passa a refletir dificuldades estruturais no orçamento das famílias.
Dentro desse grupo, 68,22% dos consumidores ainda não haviam quitado dívidas anteriores e voltaram a ser negativados. Outros 18,19% chegaram a sair do cadastro, mas retornaram ao longo do último ano. Apenas 13,59% dos negativados em fevereiro não tinham histórico recente de restrições no CPF.
Intervalo curto entre dívidas agrava situação
Outro ponto de atenção é o tempo médio entre o vencimento de uma dívida e o surgimento de uma nova pendência. Em fevereiro, esse intervalo foi de apenas 72,9 dias — cerca de 2,4 meses.
Na prática, isso indica que muitos consumidores não conseguem reorganizar suas finanças antes de acumular novos débitos, perpetuando o ciclo de inadimplência.
Nos 12 meses encerrados em fevereiro de 2026, o número de devedores reincidentes cresceu 12,49% em comparação ao período anterior, reforçando a tendência de agravamento do quadro.
Segundo o presidente da CNDL, José César da Costa, a inadimplência recorrente revela um problema mais profundo. “A entrada no cadastro raramente é um fato isolado. O que vemos é a consolidação de um ciclo vicioso, que cria uma barreira difícil de romper para a recuperação financeira”, destaca.
Perfil dos devedores
A análise do perfil mostra que a faixa etária de 30 a 39 anos concentra a maior parcela dos devedores reincidentes, com 26,58% do total. Em relação ao sexo, a distribuição segue relativamente equilibrada, com 56,42% mulheres e 43,58% homens.
No total, a inadimplência atinge cerca de 44,11% da população adulta brasileira, evidenciando a amplitude do problema.
Recuperação de crédito perde força
Enquanto a reincidência avança, a recuperação de crédito segue em queda. O Indicador de Recuperação de Crédito de Pessoas Físicas do SPC Brasil apontou redução de 7,12% no número de consumidores que conseguiram limpar o nome nos 12 meses encerrados em fevereiro de 2026, na comparação com o período anterior.
A maior retração foi observada entre consumidores que levaram de quatro a cinco anos para quitar suas dívidas, com queda de 23,67%.
Entre aqueles que conseguiram sair da inadimplência em fevereiro, a maior participação foi da faixa etária de 50 a 64 anos (25,18%). O perfil também se mostrou equilibrado entre os sexos: 50,96% mulheres e 49,04% homens.
O valor médio pago por consumidor foi de R$ 2.030,66, sendo que 65,32% quitaram dívidas de até R$ 500.
Para o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior, os dados mostram fragilidade contínua nas finanças das famílias. “Sair da lista de negativados não significa resolver a situação de longo prazo. Muitos consumidores voltam rapidamente ao cadastro, o que revela um orçamento ainda pressionado e vulnerável a imprevistos”, alerta.
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