A corrida eleitoral de 2026 começa a revelar um cenário cada vez mais desafiador para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Mato Grosso. Mais do que uma simples disputa de preferência eleitoral, os números divulgados pela AtlasIntel nesta semana indicam que o Estado pode se tornar um dos maiores obstáculos para o projeto político do petista no Centro-Oeste.
Levantamento realizado entre os dias 4 e 9 de setembro mostra que o senador Flávio Bolsonaro (PL) lidera com ampla vantagem entre os eleitores mato-grossenses. No cenário de primeiro turno, ele aparece com 53,8% das intenções de voto, enquanto Lula registra 31,2%, uma diferença de 22,6 pontos percentuais.
Quando a simulação avança para um eventual segundo turno, a distância cresce ainda mais. Flávio Bolsonaro alcança 59,1%, contra 35,2% do atual presidente.
Os números reforçam uma tendência observada nos últimos processos eleitorais em Mato Grosso, onde candidatos alinhados à direita têm encontrado terreno favorável, especialmente em municípios ligados ao agronegócio, setor que possui forte influência econômica e política no Estado.
Rejeição ao governo entra no radar da disputa estadual
Se os índices de intenção de voto já acendem um sinal de alerta para o Palácio do Planalto, a avaliação do governo federal amplia a preocupação.
Segundo a pesquisa, 66% dos entrevistados desaprovam a gestão de Lula em Mato Grosso. Apenas 34% manifestaram aprovação. Na avaliação qualitativa, o cenário é igualmente desfavorável: 61,4% classificam a administração federal como ruim ou péssima.
Os dados indicam que a disputa estadual poderá ser influenciada não apenas pelos debates locais, mas também pela percepção dos eleitores sobre Brasília.
A questão que começa a movimentar os bastidores da política mato-grossense é até que ponto essa rejeição ao presidente poderá impactar candidatos identificados com o governo federal.
Fávaro será principal termômetro político
Entre os nomes que estarão sob observação está o senador Carlos Fávaro (PSD), atual ministro da Agricultura e candidato à reeleição.
Aliado de Lula desde o início do atual mandato, Fávaro terá o desafio de equilibrar duas realidades distintas: defender os resultados obtidos à frente do Ministério da Agricultura e, ao mesmo tempo, administrar uma marca presidencial que enfrenta resistência significativa entre os eleitores do Estado.
Analistas políticos avaliam que sua campanha poderá servir como um verdadeiro teste sobre a força da associação com o governo federal em Mato Grosso.
O fenômeno também pode atingir candidatos proporcionais. Deputados federais e estaduais que apostarem em uma vinculação direta ao presidente precisarão medir o impacto eleitoral dessa estratégia diante de um eleitorado majoritariamente crítico ao governo.
Nacionalizar ou estadualizar?
A pesquisa também abre espaço para uma discussão estratégica que deverá dominar a campanha nos próximos meses.
De um lado, adversários do PT tendem a nacionalizar o debate, explorando índices de desaprovação e associando seus discursos às críticas ao governo federal.
Do outro, aliados do Planalto podem optar por estadualizar a disputa, concentrando a comunicação em temas regionais, infraestrutura, agricultura, logística e investimentos, reduzindo a exposição da imagem presidencial.
Essa disputa narrativa pode se tornar um dos fatores decisivos da eleição em Mato Grosso.
Cenário difere do restante do país
O retrato encontrado no Estado contrasta com o cenário nacional apresentado pela própria AtlasIntel em parceria com a Bloomberg.
Enquanto em Mato Grosso Flávio Bolsonaro abre vantagem expressiva, no levantamento nacional há empate técnico. O senador aparece com 46,4% das intenções de voto em um eventual segundo turno, enquanto Lula registra 46,2%.
A diferença demonstra que Mato Grosso segue uma dinâmica política própria e permanece entre os estados mais resistentes ao campo político liderado pelo PT.
Com mais de um ano até a eleição, os números ainda representam uma fotografia do momento. Entretanto, eles já oferecem pistas importantes sobre o ambiente político que deverá moldar a disputa de 2026 e os desafios enfrentados por candidatos que pretendem carregar, ou evitar carregar, o peso da marca Lula em Mato Grosso.
Segundo a AtlasIntel, a pesquisa ouviu 1.209 eleitores entre os dias 4 e 9 de setembro, possui margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob os números MT-02766/2026 e BR-08540/2026.
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