O que está acontecendo com o Rio Cuiabá? Essa foi a pergunta central levantada por pescadores, moradores e especialistas durante um encontro realizado em Várzea Grande, na Baixada Cuiabana. A reunião integrou a expedição fluvial de monitoramento do rio, iniciativa que percorre comunidades ribeirinhas para ouvir relatos e avaliar problemas ambientais.
No terceiro dia da expedição, realizada nesta quarta-feira (11), o grupo se reuniu no distrito de Bonsucesso, em um tradicional ponto de encontro de trabalhadores da pesca. O debate reuniu pescadores, ribeirinhos e pesquisadores para discutir temas como poluição, erosão das margens, redução de peixes e a perda gradual da cultura ligada à pesca artesanal.
Comunidade relata mudanças no rio
O pescador e comerciante Francenil de Jesus, conhecido como Bola, destacou a necessidade de preservar não apenas o rio, mas também o modo de vida tradicional dos pescadores. Segundo ele, as novas gerações têm cada vez menos contato com a realidade da atividade pesqueira.
Para o morador, a educação ambiental pode ajudar a recuperar o vínculo das crianças com o rio. Ele defende projetos que envolvam escolas, comunidades e iniciativas de valorização da cultura ribeirinha.
- Programas de educação ambiental para jovens
- Projetos de limpeza e conservação do rio
- Incentivo ao ecoturismo e festivais de pesca
- Valorização das comunidades da Baixada Cuiabana
De acordo com ele, iniciativas desse tipo podem fortalecer o trabalho dos pescadores e estimular o turismo sustentável na região.
Queda de peixes preocupa trabalhadores
O pescador aposentado Meinaldo Leite da Rosa, com décadas de experiência na atividade pesqueira, relatou que a realidade do rio mudou muito nas últimas décadas. Ele recorda que começou a trabalhar com pesca profissional ainda nos anos 1980.
Segundo ele, após a construção da Usina Hidrelétrica de Manso houve uma redução significativa na quantidade de peixes que subiam o rio. A situação teria impactado diretamente a renda de muitos pescadores que dependem da pesca artesanal.
Outro problema citado foi o lançamento de esgoto sem tratamento no rio, situação que também preocupa moradores da região. Para ele, a recuperação ambiental depende de cooperação entre comunidades e poder público.
Estudo aponta impactos ambientais
Durante o encontro, especialistas apresentaram informações sobre o Plano da Bacia Hidrográfica do Rio Cuiabá, estudo técnico que analisa a situação ambiental do rio e orienta futuras políticas públicas. O diagnóstico começou a ser elaborado em 2023 e deve ser concluído até 2026.
Pesquisadores identificaram vários pontos de erosão ao longo do curso do rio. A falta de sedimentos naturais, aliada a alterações ambientais, pode acelerar o desgaste das margens e provocar perda de solo.
Entre as medidas apontadas como essenciais está a recuperação da vegetação nativa ao redor do rio. A recomposição da mata ciliar é considerada fundamental para proteger o ecossistema e garantir condições adequadas para a pesca artesanal e para os pescadores que vivem da atividade.
Expedição percorre cidades de Mato Grosso
A expedição fluvial já passou por diferentes municípios da região. O trabalho percorre comunidades ribeirinhas do Mato Grosso para registrar denúncias, observar impactos ambientais e ouvir quem depende diretamente do rio.
Entre as cidades visitadas estão Cuiabá, Várzea Grande, Rosário Oeste, Acorizal e Chapada dos Guimarães. Nos próximos dias, o roteiro inclui ainda:
- Nobres
- Santo Antônio de Leverger
- Barão de Melgaço
- Poconé
A iniciativa deve ser concluída em 13 de março, após uma série de visitas técnicas e reuniões com comunidades locais.
Importância do diálogo com comunidades
Moradores e lideranças comunitárias reforçaram que ouvir os pescadores é fundamental para compreender a realidade do Rio Cuiabá. Para muitas famílias, a pesca continua sendo a principal fonte de renda e sustento.
Além de apontar problemas ambientais, os encontros também buscam reunir sugestões que possam orientar futuras ações de preservação e desenvolvimento sustentável da região.
E você, acredita que a pesca artesanal do Rio Cuiabá precisa de mais apoio e proteção? Comente sua opinião!
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