A falta de energia de qualidade pode frear o crescimento de uma região produtiva? Esse foi o centro do debate realizado pela Assembleia Legislativa em Barra do Bugres, que reuniu produtores, empresários e lideranças locais para discutir falhas na rede elétrica.
Deficiência na rede elétrica preocupa setor produtivo
A audiência pública ocorreu na Câmara Municipal e foi proposta pelo deputado Chico Guarnieri. O foco foi a insuficiência da infraestrutura de energia no município e cidades vizinhas, com relatos de quedas frequentes e limitação de carga elétrica.
Segundo o parlamentar, apenas cerca de um terço de Mato Grosso conta com rede trifásica, modelo essencial para equipamentos de maior potência, irrigação, beneficiamento e armazenagem. Apesar de o estado produzir mais energia elétrica do que consome — exportando aproximadamente 40% —, ainda enfrenta gargalos para atender áreas rurais e novos empreendimentos.
Encaminhamentos e cobranças
Entre as medidas defendidas estão:
- Ampliação da rede trifásica;
- Modernização de subestações;
- Realocação de trechos instalados em áreas alagadas ou de difícil acesso.
O deputado afirmou que novas reuniões serão realizadas e não descartou levar a demanda ao Ministério de Minas e Energia, caso os investimentos previstos não avancem.
Impactos no campo e no comércio
Produtores rurais relataram prejuízos financeiros causados por interrupções no fornecimento de energia, incluindo perda de vacinas, danos a equipamentos e desperdício de produtos. Representantes do comércio também apontaram dificuldades, especialmente para empresas recém-instaladas que enfrentam restrições na carga elétrica disponível.
Há ainda estabelecimentos que operam com rede bifásica ou monofásica, o que limita a expansão e compromete a eficiência energética. Para o setor industrial, a mudança da rede para áreas de fácil acesso e sua conversão para o sistema trifásico são consideradas essenciais para garantir estabilidade e desenvolvimento regional.
Posicionamento da concessionária
A concessionária responsável informou que realizou investimento de quase R$ 1,7 bilhão no último ano e projeta cerca de R$ 2,1 bilhões em aportes neste ano. De acordo com a empresa, o tempo médio de interrupção no fornecimento caiu de 30 para 15 horas ao longo de 12 anos de concessão.
Também foi anunciado o envio de equipes técnicas para avaliar pontos críticos e estudar a possível realocação de redes antigas, conforme normas regulatórias.
Próximos passos
Ao final da audiência, a Assembleia reforçou que acompanhará de perto as demandas de municípios como Porto Estrela, Tangará da Serra, Nova Olímpia, Denise, Lambari D’Oeste, Rio Branco e Diamantino. O objetivo é garantir energia estável e infraestrutura compatível com o crescimento econômico da região.
A qualidade da energia é estratégica para o desenvolvimento. Acompanhe as próximas atualizações e comente sua opinião sobre o tema.
Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.