Feminicídio em pauta: Deputados buscam integração de órgãos para frear violência contra a mulher

Parlamentares e rede de proteção discutem ações integradas para conter a violência contra mulheres no estado.

O avanço dos casos de feminicídio no estado acendeu um alerta no Parlamento. Nesta segunda-feira (2), a Comissão Especial de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa retomou os debates para discutir medidas mais eficazes no enfrentamento à violência contra mulheres.

O encontro reuniu deputados e representantes da rede de proteção em Mato Grosso, com foco na construção de estratégias integradas para reduzir os índices de feminicídio e fortalecer políticas públicas.

Diagnóstico e desafios

O presidente da comissão, deputado Gilberto Cattani, afirmou que os números de feminicídio indicam que as ações atuais não têm sido suficientes. Segundo ele, muitos crimes são motivados por comportamento possessivo e controle, o que reforça a necessidade de novas abordagens.

Para o parlamentar, o enfrentamento à violência de gênero precisa envolver também os homens em campanhas de conscientização. Ele destacou que políticas educacionais são essenciais, mas produzem resultados no médio e longo prazo. Por isso, defendeu medidas imediatas voltadas ao público adulto.

Relatório e propostas

O relator da comissão, deputado Carlos Avallone, informou que o grupo deve concluir nos próximos dias um relatório final. O documento servirá de base para projetos de lei e aprimoramento de políticas públicas voltadas à proteção das mulheres e ao combate ao feminicídio.

Avallone ressaltou que o Legislativo já aprovou leis específicas, criou a Procuradoria da Mulher e implantou o Orçamento Mulher. Ele também destacou que mais da metade dos lares no estado são chefiados por mulheres, o que reforça a importância de políticas de autonomia financeira para romper ciclos de violência doméstica e prevenir novos casos de feminicídio.

Integração entre órgãos

Representantes da segurança pública apontaram que o estado possui iniciativas nas áreas de Segurança, Assistência Social e Saúde. No entanto, muitas ações ainda ocorrem de forma isolada. A criação de um Gabinete de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres deve integrar secretarias e garantir que metas previstas no plano estadual sejam efetivamente cumpridas.

Experiência municipal

Durante a reunião, a secretária municipal da Mulher e da Família de Sorriso apresentou ações desenvolvidas no município para enfrentar a violência doméstica e reduzir o risco de feminicídio.

  • Campanhas educativas em escolas com orientação a crianças e adolescentes;
  • Instalação do Banco Vermelho como símbolo de alerta;
  • Criação da Casa Aconchego, com apoio jurídico e psicológico;
  • Oferta de cursos profissionalizantes para promover independência econômica.

A estratégia municipal aposta na prevenção, acolhimento e geração de oportunidades como pilares para combater o feminicídio e outras formas de violência contra a mulher.

O debate segue em andamento e a expectativa é que as propostas resultem em medidas concretas para reduzir os índices de assassinatos de mulheres. Comente sua opinião sobre quais ações podem ser mais eficazes no enfrentamento a esse crime.

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