Você sabe quais impactos a inteligência artificial pode gerar além da inovação tecnológica? Esse tema complexo foi amplamente debatido nesta segunda-feira (15) durante a reunião técnica do Grupo de Trabalho dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Assembleia Legislativa de Mato Grosso. O encontro teve como destaque uma palestra aprofundada sobre os efeitos sociais, econômicos e ambientais da automação em relação direta com as metas globais da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).
Durante a apresentação dos especialistas, foi ressaltado que a inteligência artificial não existe apenas no ambiente virtual, dependendo de uma gigantesca infraestrutura física para funcionar. Os sistemas digitais utilizam grandes volumes de dados que exigem equipamentos de altíssimo desempenho e centros de processamento de dados que demandam energia elétrica e recursos hídricos em larga escala.
Centros de processamento de dados geram alto consumo de água e energia
Segundo os relatórios técnicos apresentados aos parlamentares, essas estruturas físicas possuem um elevado consumo de recursos naturais, especialmente água potável utilizada nos sistemas de resfriamento contínuo dos supercomputadores. O debate promovido na casa de leis destacou a urgência de governos e empresas avaliarem os benefícios econômicos em paralelo com os impactos ecológicos locais nas comunidades onde essas instalações são fixadas.
Outro ponto nevrálgico discutido foi a relação entre a tecnologia e a precarização no mercado de trabalho. A construção de uma inteligência artificial depende intrinsecamente da organização, filtragem e tratamento prévio de dados realizados por trabalhadores humanos, que muitas vezes desempenham atividades exaustivas, repetitivas e com baixa remuneração financeira em países em desenvolvimento.
Algoritmos de reconhecimento facial e a reprodução de preconceitos
Os participantes do grupo de trabalho também debateram como as ferramentas automatizadas podem reproduzir e intensificar padrões históricos de desigualdade que já estão presentes nos bancos de dados usados para o treinamento dos sistemas.
Pesquisas internacionais e nacionais apresentadas na reunião apontam falhas estruturais graves:
- Ferramentas de reconhecimento facial registram índices significativamente maiores de erro em mulheres negras;
- Casos reais registrados no Brasil mostram prisões e abordagens policiais indevidas causadas por alarmes falsos dessas tecnologias;
- Plataformas de geração de imagens comerciais tendem a reproduzir estereótipos sociais, raciais e econômicos de gênero;
- A falta de diversidade nos bancos de dados de programação resulta em decisões automatizadas discriminatórias.
Especialistas cobram auditorias independentes e regulação responsável
Diante do cenário de rápida expansão tecnológica, os especialistas convidados defenderam a adoção de medidas rígidas para ampliar a transparência nos algoritmos. Entre as principais propostas avaliadas para futuras iniciativas e projetos de lei estão a obrigatoriedade de auditorias independentes periódicas e a criação de mecanismos de fiscalização externa sobre os sistemas de triagem adotados pelo próprio poder público, principalmente nas áreas de segurança e prestação de serviços essenciais.
Os representantes do Grupo de Trabalho pontuaram que a inteligência artificial já está consolidada no cotidiano e que as contribuições colhidas nesta reunião técnica subsidiarão estudos legislativos, relatórios e indicações governamentais voltadas ao uso responsável e ético da tecnologia em Mato Grosso.
Reportagem baseada em informações oficiais divulgadas pela assessoria de imprensa da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).
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