Abstenção em MT cai a 22,2% e é a menor nos últimos quatro pleitos presidenciais

Mato Grosso registrou no primeiro turno das Eleições Gerais de 2026 o menor índice de abstenção entre os quatro pleitos presidenciais realizados desde 2014. Apesar de 585.631 eleitores não terem comparecido às urnas em 4 de outubro, a proporção de ausentes caiu para 22,20%, indicando uma redução em relação aos percentuais registrados em 2018 e 2022.

Os dados divulgados pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) mostram um cenário que exige observar dois números diferentes. O total de pessoas que deixaram de votar aumentou ao longo dos anos, mas o percentual de abstenção diminuiu. Isso ocorre porque o eleitorado estadual também cresceu significativamente no período.

Em 2026, Mato Grosso tinha 2.638.230 pessoas aptas a votar. Desse total, 2.052.599 compareceram às seções eleitorais, o equivalente a 77,80%. Outros 585.631 eleitores ficaram ausentes no primeiro turno.

Percentual de abstenção diminui desde 2018

A comparação entre as quatro últimas eleições presidenciais mostra que o maior índice da série ocorreu em 2018, quando 24,55% do eleitorado mato-grossense não compareceu. Desde então, a taxa recuou nas duas eleições seguintes.

Eleição Eleitores ausentes Abstenção
2014 501.621 22,91%
2018 572.086 24,55%
2022 577.261 23,38%
2026 585.631 22,20%

Entre 2018 e 2026, a abstenção caiu 2,35 pontos percentuais em Mato Grosso. Em comparação com 2022, a redução foi de 1,18 ponto percentual.

O número absoluto de ausentes, por outro lado, chegou ao maior patamar da série apresentada. Em relação a 2014, foram 84.010 pessoas a mais que não compareceram às urnas em 2026. Esse crescimento precisa ser analisado junto com a ampliação do cadastro eleitoral, e não apenas como um possível sinal de menor interesse pela votação.

Eleitorado de Mato Grosso cresceu em mais de 448 mil pessoas

O número de eleitores aptos passou de aproximadamente 2,19 milhões em 2014 para 2,64 milhões em 2026. A diferença corresponde a 448.527 pessoas a mais no cadastro eleitoral estadual, segundo o levantamento do TRE-MT.

Esse crescimento ajuda a explicar por que a quantidade de ausentes avançou mesmo com a redução proporcional da abstenção. Quando a base de eleitores aumenta, o número de pessoas que não comparecem pode crescer sem que a taxa de ausência siga a mesma tendência.

Por isso, a leitura dos resultados exige considerar simultaneamente a participação percentual e o total de eleitores. Em 2026, quase oito em cada dez pessoas aptas a votar em Mato Grosso compareceram às urnas no primeiro turno.

Abstenção em Mato Grosso ficou acima da média nacional

No Brasil, a abstenção do primeiro turno de 2026 foi de 21,08%, considerando o eleitorado residente no país e no exterior. Dos 158.745.463 eleitores aptos, 125.277.230 compareceram, enquanto 33.468.233 não participaram da votação.

Com taxa de 22,20%, Mato Grosso ficou 1,12 ponto percentual acima do índice nacional. A diferença muda quando a comparação considera apenas os eleitores que votam em território brasileiro, excluindo quem reside no exterior. Nesse recorte, a taxa nacional foi de 20,84%, deixando o resultado mato-grossense 1,36 ponto percentual acima.

A distinção é relevante porque a participação dos brasileiros que vivem fora do país apresenta características próprias. Comparações entre estados e média nacional precisam utilizar a mesma base de cálculo para evitar interpretações distorcidas.

Jovens de 16 e 17 anos tiveram participação próxima da média estadual

Entre os adolescentes de 16 e 17 anos aptos a votar em Mato Grosso, a participação ficou praticamente no mesmo nível da média do estado. O levantamento contabilizou 41.787 eleitores nessa faixa etária, dos quais 32.492 compareceram às urnas.

O comparecimento foi de 77,76%, enquanto a abstenção ficou em 22,24%. O resultado mostra que, nesse grupo, a proporção de ausentes foi muito próxima dos 22,20% registrados em todo o eleitorado estadual.

O cenário muda entre os jovens adultos. Aos 18 anos, a abstenção foi de 20,14%. Aos 19, subiu para 27,17%, e, aos 20 anos, atingiu 29,39%.

O maior índice entre os grupos etários abaixo de 70 anos apareceu na faixa de 21 a 24 anos. Nesse segmento, a abstenção chegou a 30,80%: dos 191.730 eleitores aptos, 59.056 não compareceram às urnas.

Entre pessoas de 25 a 29 anos, o percentual foi de 26,98%, com 68.925 ausências. Somados, os eleitores de 18 a 29 anos representaram 160.119 ausências, aproximadamente 27,34% de todos os eleitores que deixaram de votar em Mato Grosso no primeiro turno.

Os dados revelam diferenças importantes dentro da população jovem. Enquanto a participação dos adolescentes de 16 e 17 anos se manteve próxima à média estadual, algumas faixas dos jovens adultos apresentaram índices de abstenção mais elevados.

Comparecimento aumenta entre eleitores de 35 a 69 anos

A partir dos 30 anos, os percentuais mostram uma tendência de redução da abstenção, embora o comportamento varie conforme a faixa etária. Entre eleitores de 30 a 34 anos, o índice foi de 23,59%. No grupo de 35 a 39 anos, recuou para 20,39%.

Nas faixas seguintes, a proporção de ausentes continuou diminuindo. Entre 40 e 44 anos, a abstenção foi de 18,30%. Para pessoas de 45 a 49 anos, ficou em 16,60%, enquanto entre eleitores de 50 a 54 anos chegou a 15,37%.

As maiores taxas de comparecimento foram registradas entre pessoas de 55 a 64 anos. Na faixa de 55 a 59 anos, 85,57% dos eleitores foram às urnas. Entre 60 e 64 anos, o índice chegou a 85,71%, o maior entre todos os grupos etários apresentados pelo TRE-MT.

Nessa última faixa, 172.982 pessoas estavam aptas a votar e 148.257 compareceram. A abstenção ficou em 14,29%, menos da metade dos 30,80% registrados entre eleitores de 21 a 24 anos.

Entre pessoas de 65 a 69 anos, o comparecimento também permaneceu elevado, alcançando 83,88%. A comparação indica que a participação proporcional variou consideravelmente entre as idades, com índices mais altos nas faixas próximas à aposentadoria e nos primeiros anos da terceira idade.

Mulheres tiveram menor abstenção que os homens

O recorte por gênero apresentado pelo TRE-MT também mostra diferenças no comparecimento. Entre as mulheres aptas a votar, 79,39% compareceram às urnas, enquanto a abstenção ficou em 20,61%.

O eleitorado feminino contabilizou 1.355.774 pessoas. Desse total, 1.076.284 compareceram e 279.490 não votaram.

Entre os homens, o cadastro tinha 1.282.435 eleitores. O comparecimento foi de 976.312 pessoas, enquanto 306.123 ficaram ausentes. A abstenção masculina chegou a 23,87%.

A diferença entre as taxas foi de 3,26 pontos percentuais, com menor proporção de ausentes entre as mulheres. O resultado descreve o comportamento registrado na eleição, mas, isoladamente, não explica os motivos que levaram cada grupo a comparecer ou faltar.

O que os números revelam sobre a participação eleitoral

O levantamento reúne três movimentos relevantes nas Eleições de 2026 em Mato Grosso. O primeiro é a redução da taxa de abstenção em relação aos pleitos presidenciais de 2018 e 2022. O segundo é o aumento do total absoluto de ausentes, em paralelo à expansão do eleitorado. O terceiro são as diferenças de participação entre faixas etárias e gêneros.

Os resultados mostram que não há uma única tendência que explique o comparecimento de todos os eleitores. A participação foi menor em algumas faixas de jovens adultos e maior entre eleitores de 55 a 64 anos. Também houve diferença entre as taxas de abstenção feminina e masculina.

Com 22,20% de abstenção, Mato Grosso registrou a menor taxa entre os primeiros turnos das quatro eleições presidenciais analisadas, embora o percentual permaneça acima da média nacional. Os números oferecem um retrato da participação eleitoral no estado e ajudam a dimensionar o desafio de ampliar o comparecimento nas próximas votações.

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