Os preços do açúcar cristal branco seguem em alta no mercado paulista, sustentados principalmente pela menor disponibilidade do produto no Centro-Sul. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) reforçam a percepção de oferta mais limitada ao longo do atual ciclo.
Embora o ritmo de moagem de cana-de-açúcar tenha avançado na região Centro-Sul, o aumento da matéria-prima processada não se converteu na mesma proporção em maior oferta de açúcar. Isso ocorre porque parte da cana vem sendo direcionada para a produção de etanol, cuja fabricação também apresentou crescimento.
O movimento cria uma espécie de disputa pela matéria-prima entre açúcar e biocombustível. Com maior destinação da cana ao etanol, a quantidade de açúcar disponível para comercialização permanece mais ajustada, contribuindo para sustentar os preços no mercado físico.
De acordo com o Cepea, as usinas vêm adotando uma postura mais firme nas negociações, diante da percepção de menor disponibilidade do produto. Do outro lado, compradores demonstram maior cautela diante da valorização das cotações, o que pode limitar o ritmo dos negócios.
Cenário internacional também dá sustentação
No mercado externo, o açúcar demerara também apresenta preços fortalecidos. O movimento está relacionado às projeções de déficit na produção mundial, em um cenário de preocupação com a oferta global.
As perspectivas para a temporada 2026/27 vêm sendo revisadas por diferentes agentes do mercado, com estimativas apontando para um balanço mais apertado entre produção e consumo. Condições climáticas adversas em importantes regiões produtoras aumentam as incertezas sobre a disponibilidade internacional da commodity.
Para o mercado brasileiro, a combinação entre oferta doméstica mais restrita e preços internacionais sustentados cria um ambiente favorável à manutenção das cotações. O desempenho do etanol também merece atenção, já que a valorização do biocombustível pode influenciar as decisões das usinas sobre o destino da cana.
O cenário, portanto, é marcado por dois fatores que caminham na mesma direção: menor disponibilidade de açúcar no mercado interno e preocupação com a oferta mundial. Enquanto a moagem avança no Centro-Sul, a maior participação do etanol na utilização da cana reduz a capacidade de expansão da oferta de açúcar, mantendo o mercado atento ao comportamento dos preços até o fim do ciclo.
Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.