Síndrome do coração partido pode começar no cérebro

Estudo aponta ligação entre cérebro e coração e amplia o entendimento sobre a condição cardiovascular temporária.

Você sabia que uma emoção intensa pode afetar o coração a partir do cérebro? Uma pesquisa recente indica que a síndrome do coração partido pode ter origem em alterações cerebrais que influenciam diretamente o funcionamento cardíaco, ampliando o conhecimento sobre essa condição temporária.

O que é a síndrome do coração partido?

A síndrome do coração partido, também conhecida como cardiomiopatia de Takotsubo, provoca uma redução temporária da capacidade de contração do músculo cardíaco. O quadro costuma surgir após episódios de estresse físico ou emocional intenso e apresenta sintomas muito semelhantes aos de um infarto.

  • Dor intensa no peito;
  • Falta de ar;
  • Suor frio;
  • Palpitações;
  • Sensação de desmaio.

Apesar da semelhança, exames costumam mostrar que as artérias coronárias permanecem sem obstruções. A alteração ocorre principalmente no ventrículo esquerdo, responsável por bombear sangue para o organismo.

Pesquisa aponta o cérebro como possível origem

O novo estudo analisou imagens cerebrais de pessoas que desenvolveram a síndrome do coração partido. Os pesquisadores identificaram diferenças em regiões ligadas ao controle das emoções, ao processamento do estresse e ao sistema nervoso autônomo.

Essas áreas coordenam sinais enviados ao coração. Quando essa comunicação sofre alterações, o organismo pode responder de forma exagerada a situações emocionalmente marcantes, favorecendo mudanças temporárias na função cardíaca.

Segundo os pesquisadores, a reação envolve a liberação de hormônios, como a adrenalina, e estímulos neurológicos capazes de comprometer momentaneamente o desempenho do músculo cardíaco.

Como o estresse influencia o coração?

Em momentos de medo, tristeza intensa ou perigo, o corpo ativa mecanismos naturais de defesa. Nesse processo, ocorre aumento da produção de adrenalina e de outros hormônios relacionados ao estresse.

Na maioria das situações, essa resposta é normal. Porém, quando a descarga hormonal é excessiva, pode haver alterações na circulação e sobrecarga temporária do coração. A pesquisa sugere que algumas pessoas apresentam maior vulnerabilidade porque o cérebro reage de maneira diferente aos estímulos emocionais.

Quem tem maior risco?

Embora a condição possa atingir qualquer pessoa, ela é mais frequente em mulheres após a menopausa.

Principais fatores desencadeantes

  • Perda de familiares;
  • Fim de relacionamento;
  • Acidentes graves;
  • Diagnósticos médicos difíceis;
  • Cirurgias;
  • Crises intensas de ansiedade ou estresse.

Os pesquisadores destacam que emoções positivas muito intensas, como grandes conquistas pessoais ou acontecimentos familiares marcantes, também podem desencadear a síndrome do coração partido em casos menos comuns.

A condição pode causar complicações?

Na maior parte dos casos, a recuperação ocorre em poucas semanas. Ainda assim, durante a fase aguda, podem surgir complicações como insuficiência cardíaca e alterações do ritmo cardíaco. Em situações raras, o quadro pode evoluir para consequências mais graves.

Por esse motivo, qualquer episódio de dor intensa no peito deve ser tratado como uma emergência médica, já que apenas exames conseguem diferenciar a condição de um infarto.

O que muda com a descoberta?

O estudo reforça a importância da conexão entre cérebro e coração. A compreensão dessa comunicação poderá contribuir para novas estratégias de prevenção e tratamento, incluindo medidas voltadas ao controle do estresse, da ansiedade e da saúde emocional.

Além de ampliar o conhecimento sobre a síndrome do coração partido, a pesquisa evidencia que cuidar da saúde mental também pode trazer benefícios para a saúde cardiovascular.

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