Pouca gente sabe, mas Aurélio Buarque de Holanda, um dos maiores nomes da língua portuguesa, já revelou quais considerava as palavras mais belas do idioma — e as escolhas surpreendem.
Em uma entrevista histórica de 1977, o criador do famoso Dicionário Aurélio apontou três palavras que, para ele, carregavam musicalidade, poesia e força imagética únicas: libélula, murucututu e alvorada.
1. Libélula: a palavra que “voa”
A primeira escolhida por Aurélio foi libélula.
Segundo ele, a beleza estava não apenas no significado, mas no próprio som da palavra.
Ele descreveu o termo como algo “alada”, leve e poético, afirmando que a sonoridade parecia reproduzir o voo trêmulo do inseto.
Para o lexicógrafo, poucas palavras representavam tão bem aquilo que nomeiam.
Além da imagem delicada do inseto de asas transparentes, “libélula” chamou atenção pela musicalidade:
Li-bé-lu-la.
Para Aurélio, a palavra era quase um poema.
2. Murucututu: a sonoridade que encantava Aurélio
A segunda palavra escolhida foi murucututu, nome popular de uma espécie de coruja.
A razão? A construção sonora rara.
Aurélio destacava o fascínio pelas cinco sílabas terminadas em “u”, algo pouco comum no português:
Mu-ru-cu-tu-tu.
Ele via na palavra um jogo fonético quase hipnótico.
De origem indígena, o termo carrega também uma força cultural e regional que reforça seu encanto.
Hoje, murucututu designa a coruja Pulsatrix perspicillata, encontrada em regiões do Brasil e de outros países da América Latina.
3. Alvorada: uma palavra como clarim
A terceira escolhida foi alvorada.
Diferentemente das outras duas, ligadas ao universo animal, aqui a beleza estava na evocação poética.
Aurélio comparou a palavra a uma clarinada, como um anúncio luminoso do amanhecer.
Associada ao nascer do dia, “alvorada” une som e imagem com força simbólica — renovação, começo, luz.
Para o autor, era uma palavra que fazia o coração “balançar”.
Por que essas palavras foram escolhidas?
As escolhas mostram que Aurélio não pensava apenas no significado, mas em três dimensões da língua:
- Musicalidade (como a palavra soa)
- Imagem (o que ela evoca)
- Ritmo e poesia (como a palavra parece ganhar vida)
Essa visão ajuda a entender por que o português é frequentemente apontado como um idioma de grande riqueza sonora.
Quem foi Aurélio Buarque de Holanda
Aurélio foi lexicógrafo, professor, tradutor, crítico literário e autor do Novo Dicionário da Língua Portuguesa, lançado em 1975 e eternizado como Dicionário Aurélio.
Seu nome virou sinônimo de dicionário no Brasil.
E sua seleção das palavras mais belas continua despertando curiosidade décadas depois.
As três palavras mais bonitas do português, segundo Aurélio
- Libélula
- Murucututu
- Alvorada
Três palavras muito diferentes entre si, mas unidas por algo que Aurélio valorizava acima de tudo: a poesia escondida na língua.
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