Redes sociais aumentam riscos à saúde mental de jovens

Pesquisa aponta relação entre uso intenso de redes sociais e maiores chances de ansiedade em adolescentes.

Um estudo realizado com adolescentes revelou um alerta sobre o impacto do uso prolongado das redes sociais na saúde mental. Jovens que passam seis horas ou mais por dia conectados apresentaram maiores chances de desenvolver sintomas de ansiedade e relatar ideação suicida em comparação com aqueles que utilizavam as plataformas por menos tempo.

A pesquisa acompanhou 1.066 adolescentes entre 2018 e 2025 e foi conduzida por pesquisadores da UTHealth Houston, nos Estados Unidos. No início do levantamento, os participantes tinham cerca de 12 anos e responderam perguntas sobre hábitos digitais e condições emocionais ao longo dos anos.

Estudo relaciona uso intenso das redes sociais a sintomas de ansiedade

Os resultados, publicados na revista Pediatrics Open Science, indicaram uma associação entre o tempo excessivo nas plataformas digitais e problemas relacionados à saúde mental. Adolescentes que permaneciam seis horas ou mais diariamente nas redes sociais tinham duas vezes mais chances de apresentar sintomas de ansiedade e três vezes mais chances de relatar ideação suicida.

Entre os participantes analisados:

  • 8,5% utilizavam redes sociais por menos de uma hora por dia;
  • Mais de um terço permanecia entre uma e três horas diárias nas plataformas;
  • Pouco mais de 17% passavam seis horas ou mais conectados todos os dias.

O grupo com maior exposição digital apresentou os índices mais elevados dos problemas de saúde mental avaliados pelos pesquisadores.

Por que o excesso de redes sociais pode afetar adolescentes?

Os pesquisadores destacam que não há uma única causa para essa relação. Um dos fatores apontados é a comparação constante com outras pessoas. Nas redes sociais, os usuários costumam visualizar momentos positivos, conquistas e padrões de vida idealizados, sem acesso à realidade completa por trás das publicações.

Durante a adolescência, período marcado pela formação da identidade e da autoestima, esse contato frequente pode contribuir para sentimentos de inadequação ou frustração.

Além disso, o tempo excessivo conectado pode reduzir oportunidades de interação presencial, prática de atividades físicas e experiências fora do ambiente digital. O equilíbrio entre vida online e momentos longe das telas é considerado importante para o desenvolvimento saudável.

Meninas apresentaram maior relação entre redes sociais e ansiedade

A análise também identificou diferenças entre os grupos. As meninas relataram maior tempo de uso das redes sociais e apresentaram uma associação mais forte entre a exposição às plataformas e sintomas de ansiedade.

Os especialistas ressaltam, porém, que as redes sociais não são apontadas como causa única dos problemas emocionais. Outros fatores, como dificuldades escolares, bullying, conflitos familiares e isolamento social, também podem influenciar a saúde mental dos adolescentes.

Sinais de alerta para famílias

Mais do que observar apenas a quantidade de horas no celular, os responsáveis devem acompanhar mudanças no comportamento dos jovens. Alguns sinais podem indicar que o uso das redes sociais está causando impactos negativos:

  • Afastamento de amigos e familiares;
  • Mudanças frequentes de humor, como irritação ou tristeza;
  • Alterações no sono;
  • Perda de interesse por atividades antes apreciadas;
  • Queda no desempenho escolar;
  • Uso constante das plataformas durante todo o tempo livre;
  • Sofrimento emocional relacionado ao conteúdo visto na internet.

Esses sinais isolados não confirmam um problema de saúde mental, mas mudanças significativas no comportamento podem indicar a necessidade de diálogo e atenção.

Como criar uma relação mais saudável com as redes sociais

Especialistas indicam que a solução não precisa ser apenas proibir o acesso ao celular. As plataformas digitais também fazem parte da rotina dos adolescentes e podem ter funções positivas quando utilizadas com equilíbrio.

  • Criar períodos sem celular: momentos como refeições podem ser reservados para conversas e convivência sem interrupções;
  • Evitar o uso antes de dormir: reduzir o contato com telas à noite pode favorecer uma rotina de sono melhor;
  • Conhecer o conteúdo consumido: conversar sobre perfis, vídeos e assuntos acompanhados ajuda a entender a experiência digital do jovem;
  • Estimular atividades fora das telas: esportes, encontros presenciais e hobbies ajudam a equilibrar a rotina;
  • Observar sentimentos: perceber como o adolescente se sente após usar as redes sociais é tão importante quanto controlar o tempo de acesso.

O estudo reforça que o diálogo aberto entre famílias e adolescentes é essencial para compreender os efeitos do ambiente digital. Quando houver sofrimento emocional persistente, buscar orientação especializada pode ser uma medida importante.

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