IA ainda não gera valor em 95% dos projetos empresariais, afirma especialista

Apesar do entusiasmo global em torno da tecnologia, a maioria dos projetos de inteligência artificial ainda não traz retorno econômico às empresas, segundo especialista do setor.

A inteligência artificial (IA) tem sido apontada como uma das principais apostas tecnológicas para aumentar produtividade e eficiência nas empresas. No entanto, especialistas avaliam que, na prática, a tecnologia ainda apresenta resultados limitados quando aplicada ao ambiente corporativo.

De acordo com Norbert Jung, diretor-executivo da divisão Bosch Connected Industry, braço tecnológico da multinacional alemã Bosch, cerca de 95% dos projetos de IA atualmente não geram valor econômico real para as empresas. A avaliação foi apresentada durante um painel sobre o tema em um evento preparatório para a Hannover Messe, considerada a maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo.

Segundo Jung, o entusiasmo em torno da tecnologia criou expectativas elevadas, mas muitas iniciativas ainda estão em estágio inicial. “Existe uma grande empolgação e esperança de que a IA resolva diversos desafios, mas a maior parte das empresas ainda está em fase piloto”, afirmou.

Para o executivo, um dos principais obstáculos é o excesso de dados disponíveis. Apesar do grande volume de informações coletadas pelas organizações, transformar esse material em resultados concretos continua sendo um desafio. O crescimento da quantidade de dados, segundo ele, não tem sido acompanhado por uma geração proporcional de valor.

Feira internacional destaca tecnologia

O debate ocorreu durante evento que antecipou temas da Hannover Messe, que será realizada entre os dias 20 e 24 de abril, na cidade de Hannover, no norte da Alemanha. A feira reúne empresas e especialistas de diversos países para apresentar soluções em automação industrial, digitalização, robótica, descarbonização e energia limpa.

Neste ano, o Brasil será o país homenageado da edição. A programação também contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do chanceler alemão Friedrich Merz.

A participação brasileira será organizada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O país terá pavilhões que somam aproximadamente 2,7 mil metros quadrados de exposição.

Ao todo, 140 expositores brasileiros e uma delegação formada por cerca de 300 empresas devem participar do evento, apresentando soluções tecnológicas e oportunidades de cooperação internacional.

Integração entre humanos e máquinas

Para Jung, um dos caminhos para ampliar os resultados da inteligência artificial no setor industrial é integrar a tecnologia ao conhecimento humano. Ele defende um modelo que combine máquinas, algoritmos e operadores em uma dinâmica de cooperação dentro das fábricas.

“A solução está em unir inteligência artificial, máquinas e pessoas em um modelo de cointeligência na manufatura”, explicou.

A avaliação também aparece em estudos internacionais. Um relatório do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) aponta que, mesmo com investimentos empresariais estimados entre US$ 30 bilhões e US$ 40 bilhões em IA generativa, cerca de 95% das organizações ainda não obtiveram retorno financeiro significativo.

IA e robótica na indústria

Especialistas do setor de robótica avaliam que a aplicação da inteligência artificial tende a ganhar mais espaço quando integrada a equipamentos físicos. Sven Parusel, chefe de pesquisa da empresa Agile Robots, afirma que a tecnologia começa a sair do ambiente digital para atuar diretamente na produção industrial.

Segundo ele, a chamada IA física combina algoritmos com robôs e máquinas dentro das fábricas, ampliando a automação de processos.

A empresa alemã desenvolve desde 2018 sistemas que incluem braços robóticos, mãos mecânicas, plataformas móveis e robôs humanoides. Um dos projetos envolve um sistema automatizado de montagem de caixas de câmbio com dois braços robóticos controlados por inteligência artificial.

O sistema utiliza visão computacional para identificar peças e orientar os movimentos dos robôs, o que permite aumentar a velocidade de produção, melhorar a flexibilidade das linhas industriais e facilitar a configuração das operações.

Potencial brasileiro

Para representantes da ApexBrasil, o Brasil possui condições de ampliar sua presença global no desenvolvimento e aplicação de tecnologias de inteligência artificial.

Segundo a representante regional da instituição, Márcia Nejaim, o país possui profissionais qualificados e centros de pesquisa capazes de competir internacionalmente no setor tecnológico.

Ela destaca que empresas e institutos brasileiros já atuam no desenvolvimento de soluções avançadas, o que reforça o potencial de protagonismo do país em eventos internacionais de inovação.

Entre os exemplos citados estão centros de pesquisa e empresas nacionais que trabalham com inteligência artificial e soluções digitais para a indústria, demonstrando a capacidade brasileira de contribuir para a evolução tecnológica global.

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