O roubo de arte que levou cinco obras de mestres como Claude Monet, Pablo Picasso, Salvador Dalí e Henri Matisse do Museu da Chácara do Céu, no Rio de Janeiro, prescreveu oficialmente após duas décadas sem identificação dos responsáveis. O crime, ocorrido em 24 de fevereiro de 2006, durante o Carnaval, permanece sem solução e sem recuperação das peças.
Naquele dia, criminosos aproveitaram a movimentação do Bloco das Carmelitas, em Santa Teresa, para invadir o museu, render nove pessoas e fugir com as obras em meio aos foliões. Avaliadas em mais de US$ 10 milhões à época, as peças nunca foram localizadas.
Ao longo dos anos, a investigação reuniu suspeitas, mas não resultou em denúncias formais. Entre os nomes citados estavam o motorista de uma kombi que teria transportado parte do material e dois cidadãos franceses ligados ao mercado de arte. Um deles, o artesão Patrice Rouge, negou recentemente qualquer participação e afirmou que estava na França quando soube das acusações.
Sem autoria definida, o processo permaneceu em fase de investigação e acabou arquivado, levando à prescrição do crime. A falta de avanços reforçou críticas sobre falhas institucionais na apuração. Levantamentos posteriores apontaram demora no atendimento policial, ausência de preservação da cena do crime e comunicação incompleta a portos e aeroportos.
O caso também evidenciou lacunas na proteção do patrimônio cultural. Na época, o país não possuía um banco nacional de obras desaparecidas, estrutura que só seria criada anos depois. Especialistas apontam que a perda ultrapassa o valor financeiro, representando um dano permanente ao acesso público e à pesquisa.
Após o episódio, o Museu da Chácara do Céu reforçou a segurança. Atualmente, o local conta com monitoramento por câmeras 24 horas, equipe ampliada de vigilância e procedimentos mais rigorosos de controle de acesso. Em dias de grandes eventos no bairro, o museu permanece fechado.
As obras levadas incluem a pintura Marine, de Monet; Le Jardin du Luxembourg, de Matisse; La Danse e o álbum de gravuras Toros, de Picasso; e Homme d’une Complexion Malsaine Écoutant le Bruit de la Mer sur les Deux Balcons, de Dalí.
Mesmo com a prescrição, o museu mantém a expectativa de que as peças possam ser recuperadas no futuro. A direção afirma que a ausência das obras continua sendo sentida, mas ressalta que elas seguem como parte da história e do legado cultural da instituição.
O episódio deve voltar ao debate público com o desenvolvimento de um filme inspirado em investigações sobre o caso, reacendendo a discussão sobre a proteção de bens culturais e a prioridade dada a esse tipo de crime no país.
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