Polícia Civil desarticula esquema milionário de desvio de soja e cumpre mandados em Lucas do Rio Verde

Operação Joio investiga grupo que desviou mais de 700 toneladas de grãos em fazenda de Campo Novo do Parecis; ações ocorrem em seis cidades de Mato Grosso

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta terça-feira (17), a Operação Joio, com o objetivo de desarticular um esquema criminoso responsável pelo desvio de mais de 700 toneladas de soja em uma fazenda localizada no município de Campo Novo do Parecis.

Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de prisão preventiva, 11 de busca e apreensão, além de 12 sequestros de veículos, bloqueios de contas bancárias e quebras de sigilo telemático.

As ordens judiciais foram executadas em diversas cidades, incluindo Lucas do Rio Verde, além de Nova Mutum, Tangará da Serra, Barra do Bugres, Guarantã do Norte e Diamantino. Em Lucas do Rio Verde, a Polícia Civil cumpriu duas ordens de prisão e uma de buscas domiciliar.

As investigações são conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), que identificaram a atuação do grupo em pelo menos 14 carregamentos irregulares de grãos, resultando no desvio de aproximadamente 701 toneladas de soja. O prejuízo à empresa vítima é estimado em mais de R$ 1,1 milhão.

Segundo a apuração, o esquema criminoso contava com a participação de funcionários ligados ao processo de carregamento, como balanceiros, além de motoristas. Caminhões entravam na propriedade rural com ordens de carregamento falsificadas e, sem a devida conferência ou classificação da carga, saíam transportando a soja desviada para destinos desconhecidos.

Ainda conforme as investigações, integrantes do esquema recebiam vantagens indevidas para facilitar a saída dos veículos sem os procedimentos obrigatórios. Os pagamentos eram realizados por meio de transferências bancárias, muitas vezes utilizando contas de terceiros para dificultar o rastreamento.

O delegado responsável pelo caso, Mário Santiago, destacou que as medidas judiciais visam aprofundar as investigações, interromper a atuação do grupo criminoso e garantir o ressarcimento dos prejuízos causados.

O nome da operação, “Joio”, faz referência à necessidade de separar o que é legítimo do que é fraudulento dentro da cadeia produtiva, simbolizando o trabalho investigativo das forças de segurança.

A ação integra o planejamento estratégico da Polícia Civil para 2026, dentro da Operação Pharus, vinculada ao programa Tolerância Zero no combate às facções criminosas em Mato Grosso. A operação também faz parte da 1ª Operação Redecarga, iniciativa nacional coordenada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública para combater crimes de roubo, furto e receptação de cargas.

Google Notícias
Siga o CenárioMT

Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.