PlanoClima estabelece meta de reduzir emissões de carbono no Brasil até 2035

O governo federal apresentou o Plano Clima, estratégia que reúne ações para enfrentar a crise climática e reduzir significativamente as emissões de carbono no país nas próximas décadas.

O governo federal lançou nesta segunda-feira (16), em Brasília, o Plano Clima, documento que define diretrizes para orientar o Estado e a sociedade no enfrentamento da crise climática.

A proposta reúne medidas de mitigação e adaptação com o objetivo de conduzir o Brasil a uma economia de baixo carbono, alinhada a princípios de sustentabilidade ambiental e social.

A principal meta do plano é reduzir entre 59% e 67% as emissões de dióxido de carbono até 2035, tomando como referência os níveis registrados em 2005. O governo também prevê que o país alcance, até 2050, a neutralidade nas emissões de gases de efeito estufa.

A construção do plano começou em 2023 e contou com a participação de cerca de 24 mil pessoas. Ao longo do processo, foram apresentadas aproximadamente 5 mil propostas, posteriormente analisadas e consolidadas pelo Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM), formado por 25 ministérios.

Emergência climática

Segundo a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, o processo de elaboração contou com ampla participação da sociedade civil. Para ela, o Plano Clima servirá como base para orientar políticas públicas nas áreas de adaptação e mitigação, além de direcionar estratégias de desenvolvimento sustentável.

A ministra destacou que o país enfrenta um cenário grave de emergência climática. Ela citou desastres recentes registrados no Brasil, como enchentes na Bahia em 2021, eventos extremos no Rio Grande do Sul em 2023, tragédias no litoral paulista em 2024, além de períodos de secas e cheias intensas na Amazônia e a recente tragédia na Zona da Mata de Minas Gerais, que deixou 70 mortos.

Para viabilizar as ações previstas, o plano contará com diferentes fontes de financiamento. Entre elas estão recursos do programa Eco Invest Brasil, investimentos da Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e para a Transformação Ecológica (BIP) e verbas do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, conhecido como Fundo Clima, operado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Somente em 2026, o Fundo Clima terá mais de R$ 33 bilhões disponíveis, sendo R$ 27,5 bilhões destinados a operações reembolsáveis administradas pelo BNDES.

Liderança global

Em nota divulgada à imprensa, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou que o Plano Clima representa um novo passo do governo para posicionar o Brasil como protagonista na agenda ambiental global. Segundo ele, a iniciativa também busca mobilizar estados, municípios, setor privado e sociedade civil.

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou que o documento reforça o papel da ciência na formulação de políticas públicas voltadas ao enfrentamento da crise climática. Para ela, o país não está apenas reagindo aos desastres, mas buscando antecipar soluções.

A elaboração do Plano Clima foi conduzida por um comitê executivo formado pelos ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima, da Ciência, Tecnologia e Inovação e pela Casa Civil.

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