PF prende mulher e filho de Marcinho VP no Rio

Operação Backbone investiga estrutura ligada ao Comando Vermelho, suspeita de controlar o fornecimento de internet em comunidades cariocas e lavar dinheiro por meio de empresas.

A Polícia Federal (PF) prendeu, nesta segunda-feira (19), a empresária Márcia Gama Nepomuceno, mulher de Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, e mãe do rapper Oruam. A prisão ocorreu durante a Operação Backbone, que investiga uma estrutura criminosa associada ao Comando Vermelho.

Além de Márcia, os agentes prenderam Lucas dos Santos Nepomuceno, outro filho do casal. Os dois estavam entre os alvos de 23 mandados de prisão expedidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Após a detenção, eles foram encaminhados à Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro.

Até o início da tarde, a PF havia cumprido 20 dos 23 mandados de prisão, incluindo um contra o próprio Marcinho VP, que já está preso na Penitenciária Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. Em 2026, ele completou 30 anos de detenção.

Investigação contra o Comando Vermelho

Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado impõe um monopólio no fornecimento de serviços de internet em conjuntos de favelas do Alemão e da Penha, além da região do Chapadão. A atuação também alcançaria os bairros da Pavuna, Anchieta, Ricardo de Albuquerque, Costa Barros e Guadalupe, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

As investigações apontam que empresas provedoras de internet seriam utilizadas para lavar dinheiro obtido com atividades criminosas. A operação busca desarticular essa estrutura e atingir os mecanismos empresariais e financeiros que, segundo a apuração policial, sustentariam o esquema.

Defesa de Márcia Nepomuceno

O advogado Flávio Fernandes, responsável pela defesa de Márcia, afirmou que ainda não teve acesso aos autos da investigação e do processo. Por esse motivo, disse não ter condições de avaliar os fundamentos da prisão.

Em declaração à Agência Brasil, o advogado explicou que, conforme as informações de que dispunha, a investigação envolveria empresas suspeitas de fornecer clandestinamente sinais de televisão e internet e de repassar valores a familiares de sua cliente.

Fernandes negou qualquer participação de Márcia no esquema investigado. Segundo ele, as empresas vinculadas à empresária são legalizadas, emitem notas fiscais e mantêm suas obrigações tributárias em dia perante a Receita Federal. O advogado também declarou que ela desconhece as empresas suspeitas de operar clandestinamente e ressaltou que representa exclusivamente Márcia.

A Agência Brasil informou que não conseguiu contato com a defesa de Lucas dos Santos Nepomuceno.

Bloqueio de bens e mandados de busca

Além das 23 ordens de prisão preventiva, o Supremo Tribunal Federal expediu 24 mandados de busca e apreensão. As diligências ocorreram na capital fluminense e em municípios como Nova Iguaçu, São João de Meriti e Magé, na Baixada Fluminense; Teresópolis, na Região Serrana; e Maricá, na Região Metropolitana do Rio.

De acordo com a Polícia Federal, parte das prisões seria realizada dentro do sistema penitenciário, inclusive em unidades do Sistema Penitenciário Federal.

A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 558 milhões, medida que alcança 40 pessoas físicas e 42 empresas. Outra decisão suspendeu as atividades econômicas das pessoas jurídicas investigadas, entre elas provedores de internet, produtoras de eventos, uma empresa de contabilidade e empresas apontadas como estruturas de fachada.

A Operação Backbone integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal. A iniciativa tem como objetivo combater organizações criminosas que atuam no estado do Rio de Janeiro, seguindo as diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635.

Com informações da Agência Brasil.

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