O candidato ao governo do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (Republicanos) anunciou nesta segunda-feira (5) que desistiu do recurso apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar permanecer na disputa.
A decisão foi comunicada pelo próprio candidato, que terminou a eleição de domingo (4) na terceira colocação. Com a desistência, Douglas Ruas (PL) pode superar 50% dos votos válidos e ser eleito governador ainda no primeiro turno. O segundo colocado foi o ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD).
Garotinho recebeu 274.411 votos, equivalentes a 3,17% da preferência dos eleitores. Ruas ficou com 49,27%, enquanto Paes alcançou 42,76%.
Durante a apuração, os votos atribuídos a Garotinho apareceram no sistema do TSE como sub judice. Sem a inclusão dos mais de 274 mil votos do candidato, os 4,27 milhões de votos de Douglas Ruas passam a representar 50,88% dos votos válidos. Com esse percentual, não haveria necessidade de segundo turno, previsto para 25 de outubro.
As informações são da Agência Brasil.
Formalização da desistência
A campanha de Garotinho divulgou o Termo de Desistência do Recurso Ordinário Eleitoral, encaminhado ao ministro do TSE Floriano de Azevedo Marques, relator do processo.
Em nota à imprensa, o candidato criticou os adversários e afirmou ter sido “perseguido”. Segundo Garotinho, diante do resultado das urnas, decidiu retirar de maneira livre, consciente e irretratável o recurso que estava em tramitação no tribunal.
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) informou que cabe ao TSE decidir sobre a nulidade dos votos, já que o recurso do candidato do Republicanos foi protocolado naquela corte.
Até o momento, o TSE ainda não havia se manifestado sobre a desistência.
Entenda o caso
Na antevéspera da eleição, em 2 de outubro, o ministro Floriano de Azevedo Marques determinou que os votos destinados a Anthony Garotinho deveriam ser anulados.
O nome do candidato permaneceu disponível na urna eletrônica porque uma decisão anterior do TRE-RJ, que havia indeferido seu registro de candidatura, foi tomada depois do fechamento do sistema utilizado pelos equipamentos de votação.
Em setembro, o TRE-RJ considerou Garotinho inelegível em razão de uma condenação por ato doloso de improbidade administrativa, proferida em 2018.
Anthony Garotinho governou o Rio de Janeiro entre 1999 e 2002. Ele foi sucedido pela mulher, Rosinha Garotinho, que ocupou o cargo de 2003 a 2007.
A condenação de 2018 ocorreu no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) em processo relacionado ao desvio de R$ 234,4 milhões da Secretaria Estadual de Saúde entre 2005 e 2006, período em que Rosinha era governadora.
Ao negar o registro para a eleição de 2026, o TRE-RJ também apontou a aplicação da Lei da Ficha Limpa. A legislação prevê hipóteses de inelegibilidade por oito anos para pessoas condenadas por órgão judicial colegiado por ato doloso de improbidade administrativa que resulte, simultaneamente, em lesão ao patrimônio público e enriquecimento ilícito.
A Justiça Eleitoral estabelece que os tribunais regionais são responsáveis por julgar os registros de candidatura ao governo estadual, enquanto o TSE analisa os recursos apresentados contra essas decisões.
Filho de Garotinho é eleito deputado federal
No mesmo dia em que Anthony Garotinho terminou a disputa pelo governo do estado na terceira posição, seu filho, Wladimir Garotinho, conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados.
Wladimir foi o 29º candidato a deputado federal mais votado e recebeu 81.797 votos. Ele já havia exercido mandato na Câmara entre 2019 e 2020, antes de deixar o cargo para assumir a Prefeitura de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, onde governou de 2021 a 2026.
Campos dos Goytacazes é considerado o berço político da família Garotinho. Além de Wladimir e Anthony, Rosinha Garotinho também já comandou a prefeitura do município.
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