Feminicidio mobiliza milhares de mulheres em ato na Avenida Paulista

Mesmo sob forte chuva, milhares de mulheres participaram de manifestação em São Paulo no Dia Internacional da Mulher para cobrar medidas contra a violência e defender mudanças nas condições de trabalho.

Mesmo com chuva intensa na tarde deste domingo (8), milhares de mulheres participaram de uma manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, em alusão ao Dia Internacional da Mulher. O ato reuniu manifestantes que caminharam da avenida até a Praça Roosevelt com cartazes, faixas e palavras de ordem pedindo o fim da violência contra as mulheres no país.

Durante o protesto, participantes entoaram cantos e reivindicações por políticas públicas mais efetivas de proteção às mulheres. Parte das manifestantes optou por permanecer sob o vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp) por causa da chuva, enquanto outras seguiram na caminhada programada.

Entre as ações realizadas durante o evento, uma instalação com diversos pares de sapatos femininos espalhados pela avenida simbolizou vítimas de feminicídio. A intervenção buscou chamar a atenção para os casos de violência extrema registrados no país.

Segundo organizadoras do ato, a mobilização teve como objetivo pressionar autoridades por medidas concretas de enfrentamento à violência de gênero. As ativistas defendem maior investimento público e ações efetivas por parte dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Outra intervenção mencionada pelas organizadoras foi a instalação de bonecas em frente ao Fórum Pedro Lessa, em referência às crianças que também sofrem consequências da misoginia e da violência sexual. A ação também citou debates recentes envolvendo decisões judiciais que provocaram críticas de movimentos sociais.

Além das reivindicações relacionadas à segurança das mulheres, o protesto também reforçou a defesa de um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional que pretende tipificar a misoginia como crime. Para as ativistas, a medida pode representar um passo importante no enfrentamento ao discurso de ódio direcionado às mulheres.

Dados recentes indicam que o estado de São Paulo registrou 270 mulheres assassinadas em 2025, número considerado recorde desde o início da série histórica, em 2018. O total representa aumento de 96,4% em comparação com 2021.

Outras reivindicações

Durante a manifestação, as participantes também defenderam outras pautas sociais e trabalhistas. Entre elas estavam o fim da escala de trabalho 6 por 1, o combate à violência política de gênero e críticas a movimentos considerados extremistas que tentam restringir direitos e a participação das mulheres na sociedade.

Representantes de movimentos sociais destacaram que mudanças na jornada de trabalho são importantes para mulheres que acumulam responsabilidades profissionais e domésticas. Para as manifestantes, a redução da carga semanal pode contribuir para melhorar a qualidade de vida e ampliar o tempo destinado ao descanso e ao cuidado pessoal.

O ato, denominado Em Defesa da Vida das Mulheres, contou com a participação de diversas organizações sociais, sindicais e estudantis, incluindo movimentos por moradia, entidades estudantis e grupos ligados à defesa de direitos humanos.

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