Crianças acompanham votação para aprender sobre democracia

Famílias levaram filhos e netos às seções eleitorais em Brasília para apresentar o processo de votação e destacar a importância das escolhas políticas para as próximas gerações.

O segundo turno das eleições de 2026 também foi uma oportunidade de aprendizado para crianças que acompanharam pais, mães e responsáveis até as seções eleitorais. Em Brasília, famílias aproveitaram o momento para apresentar, na prática, o funcionamento da democracia e explicar a importância do voto para o futuro do país.

No Brasil, o voto é facultativo para jovens de 16 e 17 anos e para pessoas com mais de 70 anos, além de pessoas analfabetas. Para brasileiros alfabetizados entre 18 e 70 anos, o voto é obrigatório. Embora ainda não tenham idade para votar, as crianças que estiveram nos locais de votação puderam observar o processo eleitoral e ouvir de seus familiares as razões por trás das escolhas políticas.

A publicitária Polyana Carla Alves Ázara e a internacionalista Luísa Malagoli levaram o filho ao Centro de Ensino Médio Paulo Freire, na Asa Norte, em Brasília. A família acompanhou a votação para a escolha do presidente que governará o Brasil de 2027 a 2030. Polyana, que se mudou de Goiânia para a capital federal há quatro anos, votou pela primeira vez em Brasília e quis compartilhar a experiência com o filho.

Para Polyana, a participação da criança representa uma oportunidade de criar uma lembrança sobre o processo democrático e reforçar a relação entre as decisões políticas e as próximas gerações. Ela também defende que os governantes considerem os efeitos de suas ações para além do período de seus mandatos.

“Ele participar disso é muito importante. Penso no futuro em que ele, um dia, poderá pensar ‘eu participei, eu estive neste momento de futuro para mim e para o Brasil’. Nosso filho faz parte dessa democracia, que tem que ser positiva para seu futuro.”

A publicitária avalia que as políticas públicas precisam ser planejadas com uma perspectiva de longo prazo, considerando as necessidades das gerações que ainda estão crescendo.

“A gente tem que pensar no futuro das próximas gerações e não apenas no agora. O trabalho de qualquer governante tem que ser pensado a longo prazo.”

Luísa Malagoli também considera importante transmitir ao filho os valores que aprendeu com os próprios pais. Para ela, compreender o exercício do voto é parte da formação de quem participará das decisões coletivas no futuro.

“Este é um dos momentos mais importantes da nossa vida como cidadão. Não podemos não atuar para o nosso futuro. Não adianta ficarmos só reclamando, se não fizermos por onde.”

Na avaliação de Luísa, a participação política não termina quando o eleitor deixa a seção eleitoral. Ela destaca a importância de acompanhar e cobrar o trabalho de governantes e representantes do Legislativo, incluindo vereadores, deputados distritais e estaduais, para que suas decisões atendam ao interesse coletivo.

Direito ao voto e igualdade

A analista de departamento pessoal Elizabete Queiroz Gomes levou as filhas Emanuelle, de 10 anos, e Luna, de 9, para acompanhá-la durante a votação. Com o título eleitoral digital no celular, ela foi até uma seção no Varjão, região administrativa localizada a cerca de 13 quilômetros do centro de Brasília.

Elizabete considera importante explicar desde cedo como funciona o processo eleitoral e por que o direito ao voto deve ser valorizado. Segundo ela, conhecer essa conquista ajuda as crianças a compreenderem o papel da participação política na construção do futuro.

A eleitora também destacou a importância histórica do voto feminino no Brasil. Para ela, a escolha feita nas urnas tem um significado especial para as mulheres brasileiras, que conquistaram o direito de votar em 1932.

“Eu sou uma mulher. E votar tem um peso enorme para nós que somos mulheres brasileiras, já que esta conquista não faz tanto tempo que a gente conseguiu.”

A experiência compartilhada com as filhas, segundo Elizabete, é uma forma de apresentar a elas a importância de conhecer e exercer os direitos políticos.

Futuro das próximas gerações

Na Escola Classe 01 do Varjão, a aposentada Siomara Chao, de 59 anos, levou o neto Iyaz, de 4 anos, ao local de votação. Embora o menino ainda não compreenda plenamente as consequências das escolhas feitas na cabine eleitoral, a avó considera importante aproximá-lo de valores relacionados ao país e à participação social.

Siomara contou que o neto já canta o Hino Nacional na escola, onde também recebe ensinamentos sobre patriotismo. Ela avalia positivamente esse contato desde a infância.

Acompanhada do marido, o mecânico Plínio de La Pena, de 72 anos, Siomara explicou que suas escolhas eleitorais foram orientadas pela expectativa de um futuro melhor para os quatro filhos e os 12 netos.

“Vir aqui, no domingo, é exercer a nossa cidadania. Fazer valer uma mudança, um progresso futuro para os nossos netos, para os nossos filhos. Algo melhor.”

O relato da família evidencia como as expectativas em relação à educação, às oportunidades e à qualidade de vida das próximas gerações também influenciam as decisões dos eleitores.

Segurança e educação

Arcanjo Miguel Mota da Silva, de 7 anos, acompanhou o pai, Nilsemar Ferreira da Silva, até o local de votação. Ainda sem compreender completamente o significado da eleição, o menino esteve presente enquanto o pai exercia o direito de escolher seus representantes.

Nilsemar acredita que levar o filho à seção eleitoral pode ajudar a despertar o interesse da criança pela política e pelas decisões que afetam a sociedade.

Entre suas principais expectativas para o país estão a melhoria da segurança pública e o fortalecimento da educação infantil. O pai espera que as escolhas eleitorais contribuam para condições de vida melhores para as famílias brasileiras.

“Quero um país melhor. Quero poder sair de casa sem medo de nada, ter segurança. E também priorizo a educação para as crianças.”

Os relatos registrados durante o segundo turno mostram diferentes motivos para levar crianças aos locais de votação, desde a valorização do direito ao voto até a preocupação com segurança, educação e planejamento de políticas públicas. Para essas famílias, acompanhar a eleição é também uma oportunidade de apresentar às novas gerações a importância das decisões democráticas para o futuro do Brasil.

Com informações da Agência Brasil.

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