Alfabetização na América Latina avança com proposta de rede regional

Autoridades e especialistas discutem em Brasília a criação de uma cooperação permanente para garantir que crianças sejam alfabetizadas até os 7 anos.

Representantes de governos latino-americanos, organizações da sociedade civil e especialistas em educação participam, em Brasília, do Encontro Internacional Alfabetização, Equidade e Futuro, com o objetivo de discutir a criação de uma rede permanente de cooperação para fortalecer a alfabetização na idade adequada, até os 7 anos.

Na abertura do evento, o secretário-executivo do Ministério da Educação, Leonardo Barchini, destacou que a alfabetização é um instrumento essencial para reduzir desigualdades históricas e promover o desenvolvimento social e econômico da região. Segundo ele, garantir o direito à leitura e à escrita desde os primeiros anos escolares é fundamental para ampliar oportunidades e fortalecer a cidadania.

O encontro também reúne instituições parceiras, como o Instituto Natura. Para o diretor-presidente da entidade, David Saad, a articulação regional pode acelerar soluções para um dos principais desafios educacionais. Ele avalia que, com prioridade política e cooperação entre países, é possível melhorar significativamente os resultados educacionais em um prazo de cinco a sete anos.

Experiência brasileira

Durante o evento, o governo federal apresentou o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, iniciativa que articula União, estados e municípios para garantir que os estudantes estejam alfabetizados até o final do 2º ano do ensino fundamental.

Em 2024, o índice nacional atingiu 59,2% das crianças alfabetizadas, resultado próximo da meta anual de 60%. A expectativa é alcançar pelo menos 80% até 2030. O Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) foi apontado como ferramenta estratégica para identificar desigualdades e orientar políticas públicas em diferentes regiões e grupos sociais.

Principais desafios

Apesar do acesso à escola ser praticamente universal no país, o desafio agora é elevar a qualidade do ensino. Entre os principais problemas estão a falta de bibliotecas em algumas escolas, a necessidade de ampliar a oferta de creches e a formação continuada de professores alfabetizadores.

Autoridades ressaltaram que uma trajetória escolar sólida contribui para melhores condições de vida na fase adulta e maior participação social e econômica.

Iniciativas na região

Experiências de outros países também foram apresentadas. Na província de Chaco, na Argentina, a distribuição de livros para todos os alunos e o fortalecimento do trabalho pedagógico permitiram avanços no aprendizado de cerca de 77 mil estudantes.

No México, a política educacional tem priorizado a alfabetização considerando a diversidade linguística do país, que possui cerca de 68 línguas indígenas. Já no Peru, o progresso está associado ao uso de avaliações em larga escala e a ações voltadas à saúde e à redução da violência escolar.

Representantes do Uruguai destacaram a importância de políticas educacionais contínuas e de longo prazo, independentemente de mudanças administrativas.

Alfabetização digital

Outro ponto de atenção é a integração entre a alfabetização tradicional e as competências digitais. De acordo com o Ministério da Educação, o domínio de tecnologias deve ser trabalhado de forma progressiva ao longo da vida escolar, em conjunto com a leitura e a escrita.

O encontro segue até esta terça-feira e busca consolidar um movimento regional em favor da alfabetização como base para o desenvolvimento sustentável e a redução das desigualdades na América Latina.

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