Um acordo histórico no Paraná permitirá que mais de 3 mil famílias sejam assentadas em quase 60 mil hectares de terras, encerrando um dos conflitos fundiários mais longos da região Sul. A União pagará R$ 584 milhões em indenizações à empresa Araupel para destinar a área à reforma agrária.
A área, ocupada há 30 anos pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), engloba os municípios de Rio Bonito do Iguaçu, Laranjeiras do Sul, Quedas do Iguaçu, Espigão Alto do Iguaçu e Nova Laranjeiras. Quatro assentamentos serão criados, incluindo o acampamento Dom Tomás Balduíno, onde os moradores agora terão acesso a crédito, escolas e infraestrutura comunitária.
“Com o acordo, essas famílias poderão financiar sua produção, construir uma escola e estruturar cooperativas e agroindústrias, fortalecendo a produção coletiva”, afirmou Tarcísio Leopoldo, agricultor local.
O acordo será pago por meio de precatórios federais. Roberto Picarelli, coordenador regional de Patrimônio e Meio Ambiente, explicou que a União adquirirá mais de 30 mil hectares reconhecidos como públicos e outros 23 mil hectares para reforçar a agricultura familiar.
Davi Lucas Martins Nascimento, procurador federal do Incra, ressaltou a importância da medida: “Esse acordo encerra um conflito que durava mais de 20 anos e permitirá a destinação de mais de 58 mil hectares ao Programa Nacional de Reforma Agrária.”
Além do Dom Tomás Balduíno, os assentamentos Celso Furtado, Herdeiros da Terra de Primeiro de Maio e Dez de Maio também receberão famílias, sendo que 1 mil já estão assentadas e 2 mil integrarão os novos assentamentos.
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