O saber tradicional das mulheres de Limpo Grande, em Várzea Grande, começa a ganhar seu primeiro registro oficial e sistemático. A Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) deu início à estruturação do Inventário do Patrimônio Imaterial das Redeiras de Limpo Grande, um projeto que visa documentar cada detalhe da produção das famosas redes de algodão da região em Mato Grosso.
A iniciativa é viabilizada pela Política Nacional Aldir Blanc (Pnab) e conduzida pela Associação Tece Arte, buscando transformar o conhecimento oral em um acervo digital acessível.
Tecnologia ancestral e resistência
Diferente de um simples catálogo de produtos, o inventário foca no processo humano e técnico. O trabalho documenta desde a colheita e preparação da matéria-prima até o acabamento minucioso dos pontos. Segundo a coordenadora do projeto, Ester Moreira Almeida, o registro celebra uma “tecnologia ancestral de resistência feminina”.
As etapas do levantamento incluem:
- Registro Audiovisual: Filmagem das artesãs em atividade para capturar movimentos e técnicas;
- Depoimentos: Entrevistas com as mestras redeiras para preservar a história oral da comunidade;
- Catalogação de Padrões: Identificação e nomeação dos pontos tradicionais e cores que definem a identidade das redes;
- Simbologia: Registro do significado cultural que a tecelagem representa para as famílias de Limpo Grande.
Salva-guarda da Cultura Popular
O lançamento do acervo digital está previsto para junho de 2026. Para especialistas em patrimônio, o inventário é uma ferramenta estratégica contra o esquecimento. Com as mudanças econômicas e a modernização, técnicas que eram passadas de mãe para filha corriam o risco de se perder sem um esforço formal de preservação.
A ação está amparada pela Lei nº 3.551/2000, que institui o registro de bens culturais imateriais no Brasil, elevando o trabalho das redeiras ao status de patrimônio nacional, o que facilita a captação de recursos e a valorização comercial das peças.
Impacto na Economia Criativa
Além da preservação histórica, o projeto fortalece a economia criativa local. Ao documentar a origem e a complexidade de cada peça, o valor agregado das redes aumenta, proporcionando maior autonomia financeira às artesãs e garantindo que a tradição continue sendo uma fonte de renda viável para as novas gerações.
A redação do CenárioMT acompanha a valorização das raízes mato-grossenses. Você já teve o privilégio de ver de perto o trabalho das redeiras de Limpo Grande ou possui uma dessas redes em casa? Acredita que o registro digital é suficiente para manter viva a tradição entre os jovens da comunidade? Deixe sua opinião nos comentários.
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