Uma operação interestadual de alta prioridade resultou na captura do único homem que restava na lista de foragidos por feminicídio com mandado de prisão em aberto no estado de Mato Grosso. O suspeito, de 33 anos, foi preso na tarde desta sexta-feira (12 de junho de 2026) no bairro Acácia, em Feira de Santana, no estado da Bahia.
A ação foi coordenada pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) da Polícia Civil da Bahia, a partir de informações estratégicas compartilhadas por forças de inteligência mato-grossenses.
O mandado de prisão preventiva havia sido expedido pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Sinop. A captura mobilizou um comitê integrado formado pela Coordenadoria de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher e Vulneráveis, Coordenadoria de Enfrentamento ao Crime Organizado, Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DDM) de Sinop e o Gabinete de Enfrentamento à Violência de Gênero Contra a Mulher de MT.
O crime no Jardim Ipiranga
O crime que motivou a caçada policial ocorreu na manhã de 22 de maio de 2025, no município de Sinop. A vítima, Adriana Costa da Silva, que também tinha 33 anos, foi assassinada com requintes de crueldade no interior de sua própria casa, localizada no bairro Jardim Ipiranga.
Conforme os relatórios da perícia técnica e do inquérito policial:
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Adriana foi encontrada por familiares caíça no chão da sala de estar;
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O corpo apresentava severos sinais de traumatismo na região craniana;
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As investigações apontaram que o autor utilizou um objeto contundente para desferir os golpes fatais e, logo após o ato, fugiu do município, dando início ao período de clandestinidade.
Endurecimento de penas e canais de denúncia
O crime de feminicídio é tipificado no Código Penal brasileiro como o homicídio praticado contra a mulher por razões da condição do sexo feminino — envolvendo violência doméstica e familiar ou menosprezo e discriminação à condição de mulher (Lei nº 13.104/2015). O arcabouço jurídico de proteção foi recentemente endurecido pela Lei nº 14.994/2024, que majorou as penas de reclusão e tornou mais rígidos os critérios para progressão de regime de agressores de gênero.
O acusado permanece detido em uma unidade prisional baiana e passará por audiência de custódia. O Poder Judiciário de Mato Grosso já iniciou os trâmites administrativos para providenciar o recambiamento do preso para o sistema penitenciário mato-grossense, onde ele responderá formalmente ao processo por homicídio qualificado.
A Polícia Civil reitera que tentativas de agressão física, ameaças, perseguições (stalking) e abusos psicológicos devem ser comunicados de forma imediata por meio do Disque 180 (Central de Atendimento à Mulher), 197 (Polícia Civil) ou 190 (Polícia Militar).
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