A Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) integra um marco histórico para a ecologia e a taxonomia no Brasil com o lançamento do Banco de Dados de Caracteres Morfológicos de Abelhas Brasileiras (BBTD). A pesquisa colaborativa, que envolveu 30 instituições nacionais e pesquisadores internacionais, foi publicada na renomada revista alemã Oecologia. O estudo revela que as características das abelhas brasileiras diferem drasticamente dos padrões observados em regiões temperadas, como Europa e Estados Unidos, subvertendo regras ecológicas tidas como globais.
A Unemat ocupou a décima posição em relevância institucional no trabalho, demonstrando a força da produção científica estadual. Sob a coordenação do professor Evandson José dos Anjos, o estudo analisou 2.066 espécies e constatou, por exemplo, que quase 48% das abelhas brasileiras constroem ninhos acima do solo, em árvores ocas ou cavidades naturais.
Esse dado acende um alerta para a conservação, pois indica uma vulnerabilidade muito maior ao desmatamento e à perda de grandes árvores em comparação às abelhas de clima temperado, que nidificam majoritariamente no solo.
Outra descoberta surpreendente foi a inversão no tamanho social das espécies. No Brasil, as abelhas eussociais, que vivem em colônias (como as abelhas sem ferrão), são significativamente menores do que as espécies solitárias, contrariando a tendência observada em outras partes do mundo.
Além disso, a proporção de abelhas sociais em território brasileiro é quatro vezes maior que na Europa, um reflexo da estabilidade climática tropical que favorece o desenvolvimento de colônias que permanecem ativas durante todo o ano.
O sucesso do projeto, que compilou décadas de registros de coleções científicas, foi atribuído ao inédito esforço de cooperação nacional. Para os pesquisadores, o banco de dados BBTD torna-se agora uma ferramenta indispensável para formuladores de políticas públicas e gestores ambientais.
Os próximos passos incluem a utilização desses dados para direcionar pesquisas de campo focadas nos impactos das mudanças climáticas sobre os polinizadores, garantindo que as estratégias de preservação e manejo agrícola sejam geograficamente adaptadas à realidade da biodiversidade brasileira.
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