Surto de sarampo em Mato Grosso acende alerta sobre falhas na cobertura da vacina tríplice viral

Um dos pontos mais sensíveis da cobertura vacinal mato-grossense é a segunda dose da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola.

O cenário da imunização em Mato Grosso ao longo de 2025 revelou um contraste marcante: enquanto o estado se destacou na vanguarda da ciência nacional, a realidade nas salas de vacina ainda enfrenta obstáculos críticos.

Embora os dados de setembro tenham mostrado uma leve recuperação, com quatro imunizantes atingindo as metas infantis, o estado atravessou meses em que apenas a vacina BCG — aplicada logo ao nascer — apresentava índices satisfatórios, deixando milhares de crianças expostas a doenças evitáveis.

Um dos pontos mais sensíveis da cobertura vacinal mato-grossense é a segunda dose da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Com apenas 76,23% de alcance, a baixa adesão teve consequências práticas com o registro de um surto de sarampo em Primavera do Leste, após uma viagem familiar.

Até novembro, o município contabilizou seis casos confirmados, todos em pessoas que não possuíam o esquema vacinal completo. Além da tríplice, a vacina contra a varicela também figura entre as menores taxas de aplicação no estado.

Diante desse quadro, a comunidade científica local, liderada pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), intensificou pesquisas sobre a chamada “hesitação vacinal”.

Estudos coordenados pela professora Jaqueline Costa Lima investigam como a desinformação e as notícias falsas — como o mito de que vacinas causariam autismo — influenciam a decisão dos pais. Outro fator analisado é a falsa sensação de segurança em relação a doenças raras ou erradicadas, o que leva muitos responsáveis a negligenciar as doses de reforço.

Por outro lado, Mato Grosso consolidou seu papel estratégico na ciência global ao participar ativamente do desenvolvimento da nova vacina brasileira contra a dengue. Após nove anos de estudos (2016-2025) em parceria com o Instituto Butantan, o imunizante de dose única foi aprovado este ano.

O polo de pesquisa na UFMT, sob a condução dos professores Cor Jesus e Luciano Teixeira, acompanhou cerca de 1.300 voluntários, provando que, embora a cobertura vacinal ainda enfrente desafios logísticos e sociais, a expertise técnica do estado permanece em alto nível.

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