O avanço acelerado da geração solar, a sobrecarga do sistema elétrico e a carência de energia trifásica em diversas regiões de Mato Grosso dominaram os debates durante o painel “Mato Grosso: O papel do Estado para a segurança do setor elétrico”, realizado na terça-feira (12), em Cuiabá. O encontro reuniu representantes da Agência Nacional de Energia Elétrica, da Empresa de Pesquisa Energética, do setor produtivo e do poder público.
O principal ponto de atenção levantado foi a dificuldade da infraestrutura elétrica em acompanhar o ritmo da expansão da energia solar no Brasil. Segundo o diretor da Aneel, Gentil Nogueira de Sá Júnior, o excesso de energia gerada em determinados horários já provoca desequilíbrios no sistema. Ele destacou que, enquanto há sobra de energia durante o dia, ainda é necessário acionar usinas termelétricas em outros períodos, o que encarece o custo da eletricidade.
A solução, segundo os especialistas, passa por investimentos em transmissão e, principalmente, em tecnologias de armazenamento, como baterias e usinas reversíveis, capazes de equilibrar a oferta ao longo do dia.
Mato Grosso, por sua vez, aparece como peça estratégica nesse cenário. De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética, estudos em andamento devem ampliar em cerca de mil megawatts a capacidade de exportação de energia do estado, com reforços nas linhas de transmissão de 500 kV e 230 kV. Ainda assim, o desafio é acompanhar a velocidade da expansão da geração distribuída — especialmente a solar — que cresce em ritmo muito mais acelerado do que as obras de infraestrutura, que podem levar até sete anos para serem concluídas.
Outro ponto central do debate foi a necessidade de ampliar a oferta de energia trifásica, considerada essencial para o avanço da industrialização. O deputado federal Fábio Garcia alertou que Mato Grosso vive um impasse: precisa expandir sua base industrial e agregar valor à produção, mas enfrenta limitações na rede elétrica, principalmente fora dos grandes centros.
Para enfrentar esse gargalo, foi anunciado um pacote de investimentos de R$ 1,4 bilhão por meio do programa MT Trifásico, com recursos divididos entre o Governo do Estado e a concessionária de energia. A proposta é ampliar a infraestrutura sem pressionar excessivamente as tarifas pagas pelos consumidores.
Durante o painel, também houve defesa do fortalecimento de fontes complementares à energia solar. A presidente da Associação Brasileira de PCH e CGH, Alessandra Torres, destacou o papel das pequenas centrais hidrelétricas como alternativa estável e renovável para garantir segurança energética.
O debate evidenciou que, embora Mato Grosso tenha potencial para se consolidar como um polo energético e industrial, a falta de investimentos em infraestrutura pode se tornar um entrave ao crescimento. A convergência entre planejamento, tecnologia e políticas públicas aparece, portanto, como caminho essencial para sustentar o desenvolvimento econômico do estado nos próximos anos.
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