Dados da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, mostram que o Sistema Nacional de Análise Balística (Sinab) já permitiu identificar mais de 200 vínculos entre armas de fogo, estojos e projéteis em investigações realizadas em Mato Grosso nos últimos três anos. Conforme apurado pela reportagem, o sistema resultou na emissão de mais de 90 laudos periciais, auxiliando diretamente a elucidação de homicídios, roubos e outros crimes com uso de arma de fogo.
Como o Sinab fortalece as investigações
Operado pela Politec desde 2023, o Sistema Nacional de Análise Balística (Sinab) permite a comparação automatizada de marcas deixadas em projéteis e estojos recolhidos em cenas de crime. A tecnologia identifica se uma mesma arma foi utilizada em ocorrências distintas, conectando casos que inicialmente eram tratados como isolados.
No período analisado, o estado registrou 3.059 inserções no Banco Nacional de Perfis Balísticos, posicionando Mato Grosso entre as dez unidades periciais com maior número de vínculos confirmados e na 13ª colocação em volume de registros, segundo dados oficiais do Ministério da Justiça.
Para o gerente de Perícias de Balística da Politec, José Roque Arfeli Junior, o sistema funciona como ferramenta de inteligência criminal. “O Sinab trouxe a possibilidade de identificar que uma mesma arma foi utilizada em crimes distintos ou relacionar uma arma apreendida a um fato específico, permitindo a ligação entre inquéritos e contribuindo para a identificação da autoria”, afirmou em nota institucional.
Integração nacional e tecnologia
A Politec conta atualmente com três estações do Sistema Automatizado de Indexação Balística (SIB), incluindo scanners específicos para projéteis e estojos, além de uma estação de análise. A tecnologia é utilizada por forças de segurança em mais de 80 países e integra uma rede nacional composta por cerca de 40 laboratórios de balística forense.
Os registros realizados nos estados são sincronizados automaticamente com o banco nacional, permitindo identificar armas usadas em crimes diferentes, inclusive em outras unidades da federação. Essa integração amplia o alcance das investigações e fortalece a produção de provas técnicas para subsidiar decisões judiciais.
Impacto na elucidação de homicídios
Segundo o delegado de Homicídios e Proteção à Pessoa, Caio Albuquerque, a possibilidade de vincular ocorrências por meio do Sistema Nacional de Análise Balística (Sinab) tem aumentado a eficiência investigativa. De acordo com ele, o cruzamento de dados permite identificar conexões entre crimes mesmo quando não há suspeitos definidos ou testemunhas, cenário comum em casos envolvendo organizações criminosas.
Um dos exemplos citados pela Polícia Civil é a investigação do homicídio do advogado Renato Nery, ocorrido em julho de 2024. A perícia identificou que a arma utilizada no crime também havia sido empregada em outro assassinato registrado no ano anterior, permitindo o avanço das apurações.
Box | O que é o Sinab
- Banco nacional que reúne perfis balísticos de armas usadas em crimes;
- Permite comparar projéteis e estojos de diferentes ocorrências;
- Integra cerca de 40 laboratórios forenses no país;
- É coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública;
- Ajuda a identificar autoria e a conectar investigações.
Especialistas em segurança pública destacam que o uso de evidências técnicas, como as fornecidas pelo sistema, reduz a dependência de testemunhos e aumenta a confiabilidade das investigações, especialmente em crimes marcados pela intimidação de vítimas e testemunhas.
Reportagem baseada em dados oficiais da Politec e do Ministério da Justiça e Segurança Pública, com informações institucionais disponíveis em documentos públicos dos órgãos.
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