A repetição de prisões de um mesmo agressor voltou a expor falhas no enfrentamento à violência doméstica em Sinop, no norte de Mato Grosso. Após efetuar a 15ª prisão de um homem com histórico de agressões, o sargento da Polícia Militar Dickson Casarin fez um desabafo público ao alertar para o risco de uma tragédia anunciada.
O alerta foi feito nesta semana, em um vídeo publicado nas redes sociais, logo após a condução do suspeito. Ao relatar a ocorrência e exibir a quantidade de registros já acumulados contra o investigado, o policial afirmou, de forma direta, que teme que o homem volte a agredir e possa matar uma mulher.
De acordo com informações apresentadas pelo sargento, o histórico do investigado reúne boletins de ocorrência desde 2020. Entre os crimes registrados estão lesão corporal, ameaça, vias de fato, desacato, dano, violação de domicílio, furto e direção sob influência de álcool. As ocorrências não se concentram em um único local e se espalham por municípios como Sinop, Sorriso, Lucas do Rio Verde, Rondonópolis e Juscimeira.
Nos registros mais recentes, o foco das ocorrências recai principalmente sobre agressões e ameaças contra mulheres. Conforme o levantamento exibido no vídeo, somente entre 2024 e 2025 há diversos boletins com esse perfil, em alguns casos envolvendo a mesma vítima, o que evidencia a reincidência do comportamento violento.
Um dos episódios citados pelo policial ocorreu no fim de 2025 e resultou na prisão do agressor por cerca de 20 dias. Após a liberação, porém, o homem voltou a se envolver em novas ocorrências, o que reforçou a indignação manifestada pelo sargento durante o desabafo público.
Atuação policial e críticas ao sistema
No vídeo, Dickson Casarin fez questão de destacar que a Polícia Militar tem atuado sempre que acionada. Segundo ele, todas as ocorrências foram atendidas, com prisões realizadas e encaminhamento dos casos às autoridades competentes, conforme prevê a legislação.
O sargento também respondeu a críticas direcionadas à atuação policial, afirmando que o cenário exposto ultrapassa a esfera da segurança pública. Para ele, a sequência de prisões seguida de solturas revela um problema estrutural que envolve o sistema de Justiça e o acompanhamento de investigados com histórico de violência.
O desabafo ganhou repercussão justamente por partir de um agente que acompanha, na linha de frente, a reincidência dos mesmos autores. A exposição do caso reacendeu o debate sobre medidas de proteção às vítimas e sobre a efetividade das decisões judiciais em situações de violência doméstica.
Até o momento, não houve informação oficial sobre novas medidas cautelares impostas ao investigado após a última prisão. Conforme ressaltado pelo sargento, a Polícia Militar segue atuando sempre que acionada, enquanto o desfecho do caso depende das providências adotadas pelo sistema de Justiça, segundo informações divulgadas pelo próprio policial militar.
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