A Polícia Civil de Mato Grosso apreendeu, na tarde de terça-feira (10), um Porsche Panamera avaliado em cerca de R$ 1 milhão durante desdobramentos da Operação Imperium. Conforme divulgado pela própria instituição, o veículo estava em Campo Grande (MS) e seria vinculado a G.R.S., conhecido como “Vovozona”, apontado como liderança de uma facção criminosa com atuação no sul de Mato Grosso.
O automóvel, de cor preta, era alvo de uma medida judicial de sequestro de bens expedida pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias – Polo de Rondonópolis. A ordem foi cumprida após trabalho conjunto da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), com apoio do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco) da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.
Investigações sobre lavagem de dinheiro
Segundo a Polícia Civil, a apreensão integra as investigações da Operação Imperium, deflagrada em fevereiro com foco no núcleo financeiro da organização criminosa. A apuração aponta que integrantes do grupo utilizavam empresas e contas bancárias para movimentar e ocultar recursos provenientes de atividades ilícitas.
O Porsche Panamera estava registrado em nome de E.C.N., esposa de “Vovozona”, que também é citada nas investigações como participante do esquema de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial. Conforme os investigadores, o veículo seria parte do patrimônio adquirido com recursos do grupo criminoso.
Estrutura financeira da facção
As diligências indicaram que empresas sediadas em Rondonópolis eram abertas com documentos falsos ou em nome de pessoas ligadas ao suspeito. Essas empresas, segundo a Polícia Civil, funcionariam como mecanismo para:
- receber valores enviados por integrantes da facção;
- reintroduzir o dinheiro na economia formal;
- financiar a compra de veículos, imóveis e outros bens.
Esse tipo de estratégia é enquadrado na legislação brasileira como lavagem de dinheiro, crime previsto na Lei nº 9.613/1998, que estabelece punições para quem oculta ou dissimula a origem de recursos provenientes de infrações penais.
Quem é “Vovozona”
De acordo com a investigação, “Vovozona” é considerado de alta periculosidade e apontado como liderança da facção em Rondonópolis e região. Ele está foragido desde 14 de julho de 2023, quando deixou o Centro de Ressocialização Industrial Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande, após autorização para realizar serviço extramuros e não retornou à unidade prisional.
Após a fuga, a Polícia Civil identificou que o suspeito, familiares e pessoas próximas passaram a utilizar documentos falsos para abrir contas bancárias e empresas de fachada. O objetivo seria movimentar recursos ilícitos e adquirir patrimônio utilizado tanto para benefício pessoal quanto para demonstrar poder financeiro da organização criminosa.
Integração nacional no combate ao crime
A Operação Imperium integra o planejamento estratégico da Polícia Civil para 2026 dentro da Operação Pharus, parte do programa estadual de enfrentamento às facções criminosas. As ações também são articuladas com a Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim), coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).
Segundo o ministério, a rede reúne delegados e promotores de todos os estados e do Distrito Federal para troca de informações de inteligência e coordenação de operações contra organizações criminosas de atuação interestadual.
Reportagem baseada em informações oficiais da Polícia Civil de Mato Grosso.
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