Retenção de matrizes faz abate de vacas e novilhas cair 17% em julho em Mato Grosso, aponta Agrifatto

Abate de vacas e novilhas em Mato Grosso caiu 17,11% em um ano, enquanto o total de bovinos abatidos recuou 7,11% em julho de 2026.

O estado de Mato Grosso registrou o abate de 263,14 mil vacas e novilhas no mês de julho de 2026, montante que representa uma retração de 17,11% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado também evidencia uma queda de 12,69% na comparação com o mês anterior (junho), conforme levantamento divulgado pela consultoria Agrifatto com base em dados do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT).

De acordo com a análise da consultoria, a desaceleração no ritmo de abate de fêmeas é reflexo direto do avanço na retenção de matrizes pelos produtores rurais, movimento que tradicionalmente marca a transição de fase no ciclo pecuário e aponta para um cenário de valorização dos preços no mercado do boi gordo.

Participação de fêmeas e números gerais do abate

Com a retração, a fatia ocupada pelas fêmeas no total de bovinos encaminhados para o abate no estado recuou 5,52 pontos percentuais em julho, passando de 48,67% em junho para 43,15%. Apesar da queda mensal, o índice ainda se manteve ligeiramente acima (0,27 ponto percentual) da média registrada na última década.

No acumulado parcial de janeiro a julho de 2026, o volume de fêmeas abatidas totalizou 2,10 milhões de cabeças, baixa de 6,09% frente ao intervalo equivalente de 2025. A participação desse grupo no total geral de abates caiu de 53,69% para 49,48%.

Considerando todas as categorias bovinas, Mato Grosso contabilizou 609,93 mil cabeças abatidas em julho, volume 1,53% inferior ao de junho e 7,11% menor que o apurado em julho de 2025. Em contrapartida, o abate de machos (bois e novilhos) seguiu em alta, somando 346,68 mil cabeças, o que representa um crescimento de 9,06% no mês e de 2,25% em um ano.

No tocante aos sistemas de terminação, a Agrifatto apontou que os confinamentos responderam por 26,64% dos abates estaduais no período, enquanto os animais criados a pasto representaram 52,59%, acompanhando a expansão estruturada do setor intensivo em 2026.

Recorde de animais jovens e avanço dos machos

No acumulado dos sete primeiros meses do ano, Mato Grosso enviou 4,26 milhões de bovinos para o abate, expansão de 1,89% sobre 2025. O principal motor dessa alta foi o segmento de machos, que atingiu a marca histórica de 2,15 milhões de cabeças para o período, registrando um salto de 11,13% na comparação anual.

Outro indicador de destaque levantado pela consultoria é a expressiva participação de animais jovens: no acumulado até julho, 45,73% dos bovinos abatidos tinham até 24 meses de idade, a maior taxa já registrada na série histórica iniciada em 2003 (quando o índice era de apenas 1,29%). Segundo os especialistas, esse avanço comprova a rápida modernização da pecuária mato-grossense, impulsionada por investimentos consistentes em melhoramento genético, nutrição avançada e intensificação dos sistemas produtivos.

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