Querência registrou 268 casos de violência contra a mulher neste ano, incluindo duas tentativas de feminicídio. Diante desse cenário, mais de 50 profissionais participaram de uma capacitação para aprimorar o atendimento às vítimas e fortalecer a rede de proteção do município.
O treinamento foi realizado na segunda-feira (19) pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (Cemulher-MT). A atividade reuniu representantes de instituições públicas e da sociedade civil que integram a Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Querência, localizada a 945 quilômetros de Cuiabá.
Violência psicológica lidera os registros
Dados do Monitoramento da Violência contra a Mulher, da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), apontam que a violência psicológica foi a forma mais registrada em Querência, com 137 ocorrências. A maior parte das vítimas tem entre 31 e 40 anos.
O município tem pouco mais de 30 mil habitantes. Os números reforçam a importância da articulação entre os serviços de segurança, Justiça, assistência e acolhimento para garantir orientação e proteção às mulheres em situação de violência.
Capacitação fortalece a rede de proteção
O juiz diretor do foro de Querência, Thalles Nóbrega, destacou que o enfrentamento à violência doméstica exige a participação conjunta de diferentes instituições. Para ele, levar a formação às comarcas contribui para aperfeiçoar o trabalho dos profissionais que atuam diretamente com as vítimas.
Segundo o magistrado, nenhuma pessoa ou instituição consegue resolver o problema de forma isolada. Por isso, a mobilização conjunta é essencial para ampliar a efetividade das medidas de proteção.
O comandante da Polícia Militar no município, capitão Jeorge Augusto Fernandes de Jesus, também ressaltou a importância da atualização profissional. Embora a corporação já promova treinamentos específicos, ele avaliou que a capacitação conjunta ajuda a qualificar o atendimento prestado às mulheres.
Fernandes destacou ainda a atuação da Patrulha Maria da Penha em Querência e a proximidade entre os integrantes da rede municipal. Segundo ele, a parceria entre as instituições contribui para oferecer um serviço mais adequado às vítimas de violência doméstica.
Atendimento humanizado e participação indígena
A advogada Letícia Silva Gomes, vice-presidente do Conselho da Mulher de Querência, avaliou que as capacitações contribuem para tornar a rede mais eficiente e humanizar o acolhimento oferecido às vítimas.
O presidente da Associação Indígena Kisêdjê (AIK), Wanduwubati Suya, também destacou a importância da iniciativa para seu povo. Ele ressaltou a necessidade de ampliar o conhecimento sobre a Lei Maria da Penha e fortalecer as ações de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher.
A formação promovida pela Cemulher busca alinhar a atuação dos profissionais e ampliar a capacidade de resposta da rede municipal. A integração entre os serviços é uma das estratégias para facilitar o acesso das vítimas à proteção e ao acolhimento.
Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.