O planejamento financeiro para a safra de milho 2026/27 em Mato Grosso acende um alerta para os produtores rurais. As projeções atuais indicam que a receita gerada pela venda do grão pode não ser suficiente para cobrir a totalidade dos custos operacionais previstos. Dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) apontam um cenário de margens apertadas e a necessidade de monitoramento constante do mercado.
De acordo com o levantamento do Imea, o preço médio de negociação da saca de milho para a referida safra está projetado em R$ 44,76. Em contrapartida, o ponto de equilíbrio para o Custo Operacional Total (COT) está estimado em R$ 47,09 por saca. Essa diferença de R$ 2,33 por saca representa um desafio direto para a rentabilidade integral da atividade.
Custo Operacional Efetivo apresenta margem positiva, mas COT preocupa
A análise detalhada dos custos revela nuances importantes. A cotação projetada de R$ 44,76 consegue superar o ponto de equilíbrio do Custo Operacional Efetivo (COE), calculado em R$ 42,70. Isso gera uma margem estimada de R$ 2,06 por saca, o que indica que os desembolsos diretos da operação (como insumos e mão de obra) devem ser cobertos pela receita esperada.
No entanto, quando se considera o COT, que inclui além do COE, os custos fixos e a depreciação, a conta não fecha na projeção atual. O COT total estimado por hectare é de R$ 6.057,70, enquanto o COE fica em R$ 5.493,40. Os cálculos levam em conta uma produtividade de referência de 128,64 sacas por hectare, baseada na safra 2025/26.
Os principais indicadores financeiros para a safra 2026/27 estão resumidos na tabela abaixo:
| Indicador | Valor Projetado (por saca) | Ponto de Equilíbrio (por saca) | Diferença/Margem (por saca) |
|---|---|---|---|
| Preço do Milho (Média) | R$ 44,76 | – | – |
| Custo Operacional Efetivo (COE) | – | R$ 42,70 | + R$ 2,06 |
| Custo Operacional Total (COT) | – | R$ 47,09 | – R$ 2,33 |
Oscilação no preço dos insumos influencia composição do custo
Em junho, o custo de produção do milho atingiu R$ 3.767,37 por hectare. O Imea observou uma redução nos preços de alguns insumos importantes, o que ajudou a mitigar as despesas gerais. Os gastos com fertilizantes e corretivos caíram 2,38%, somando R$ 1.532,66 por hectare, enquanto os defensivos recuaram 0,32%, totalizando R$ 913,04 por hectare.
A normalização da logística no Oriente Médio em junho favoreceu a retomada das exportações de fertilizantes, facilitando a negociação desses produtos e contribuindo para a queda nos custos. Apesar disso, os fertilizantes e corretivos continuam sendo o principal componente de custo entre os insumos analisados.
Por outro lado, o preço das sementes registrou uma alta de 0,95%, chegando a R$ 848,78 por hectare. O Imea alerta que, embora tenha havido redução em alguns itens, a concentração da demanda por insumos nos próximos meses pode voltar a pressionar os preços para cima.
Diante desse cenário, os produtores de milho em Mato Grosso devem manter um acompanhamento rigoroso dos custos de produção e buscar as melhores oportunidades de comercialização antes do início do novo ciclo safra. A relação entre o preço projetado e as despesas previstas permanece bastante ajustada, exigindo cautela e estratégia na gestão da lavoura.
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Reportagem baseada em dados oficiais divulgados pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).
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