Uma indígena da etnia Nambikwara Katitaurlu denunciou a presença de garimpo ilegal e da facção Comando Vermelho na Terra Indígena Sararé, em Pontes e Lacerda, no interior de Mato Grosso. Segundo o relato, a chegada dos garimpeiros e de integrantes do grupo criminoso nos últimos três anos alterou drasticamente a rotina da comunidade, com aumento de violência, venda de drogas e consumo excessivo de álcool dentro da aldeia.
No território vivem cerca de 200 indígenas, que passaram a conviver com ameaças constantes e com a presença cada vez mais frequente de invasores. A área de Sararé também alcança os municípios de Conquista D’Oeste e Vila Bela da Santíssima Trindade.
Em entrevista à TV Centro América, a moradora, que pediu para não ser identificada, relatou o impacto direto da exploração ilegal. Ela afirma que um homem estaria comercializando drogas e bebidas dentro da aldeia, o que tem provocado conflitos internos. “Eu quero ficar em paz na aldeia. Tem um rapaz que vende drogas, bebidas. Ele trouxe para aldeia e vai matando o próprio indígena”, desabafou.
A equipe da emissora foi a primeira a entrar no garimpo em Sararé, em agosto do ano passado. Na ocasião, indígenas relataram medo constante e a sensação de que a violência pode atingir qualquer família. A denunciante afirma que cobra providências e tenta impedir a circulação de bebidas e entorpecentes, mas reconhece o risco. “Quando ele fica bêbado pode matar a própria esposa”, afirmou.
Paralelamente às denúncias, uma força-tarefa coordenada pelo Ibama realiza operação de desintrusão na área, por determinação da Justiça Federal. A ação conta com apoio da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Abin, Funai, Força Nacional, Gefron, além das polícias Civil e Militar de Mato Grosso e Goiás.
Durante as incursões, foram localizados 14 bunkers abastecidos com alimentos e equipamentos utilizados na atividade ilegal. Em um dos abrigos, os agentes apreenderam 6 armas de fogo, entre elas um fuzil 5.56 mm e duas espingardas calibre 12.
A dimensão do avanço também preocupa. Dos 67 mil hectares do território, mais de três mil hectares já foram devastados pela exploração ilegal de ouro. A suspeita das autoridades é de que cerca de dois mil garimpeiros e integrantes de organizações criminosas estejam atuando dentro da área, cenário que favorece conflitos armados.
Em quase dois meses de operação, mais de 160 escavadeiras foram destruídas, além de centenas de motores e estruturas logísticas. Desde 2023, segundo dados das equipes de fiscalização, mais de 460 escavadeiras já foram neutralizadas em Sararé.
A operação não tem prazo para encerramento. Conforme informações das autoridades envolvidas, o objetivo é retirar definitivamente os invasores e impedir o retorno das atividades ilegais, enquanto as comunidades indígenas aguardam medidas que garantam segurança e a preservação do território.
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