PF investiga esquema de ouro ilegal em MT e SP na Operação Lavra Fria

Mandados são cumpridos em Jaciara e Cubatão após apreensão de mais de 12 quilos de ouro no aeroporto de Várzea Grande, em investigação da PF.

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira, 27, a Operação Lavra Fria para investigar um esquema suspeito de comercialização irregular de ouro com atuação em cidades de Mato Grosso e São Paulo. A ação resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão nos municípios de Jaciara e Cubatão.

A ofensiva tem como alvo uma organização criminosa apontada por dar aparência de legalidade a ouro de origem ilícita. O trabalho desta fase busca recolher documentos, dispositivos e outros materiais que possam comprovar a estrutura e o funcionamento do esquema investigado.

As apurações começaram após a apreensão de mais de 12 quilos de ouro ocorrida em 2023, no Aeroporto Internacional de Várzea Grande. Na ocasião, o material estava acompanhado de notas fiscais que indicavam áreas específicas como locais de extração do minério.

A partir desse episódio, investigadores passaram a confrontar as informações declaradas nos documentos com a realidade dos pontos citados. Segundo a Polícia Federal, equipes foram a campo para verificar as áreas informadas como origem do ouro.

Durante as diligências, não foram encontrados indícios de atividade minerária recente nos locais descritos nas notas fiscais. A ausência de sinais compatíveis com extração reforçou a suspeita de que os documentos teriam sido usados apenas para encobrir a procedência real do material.

Suspeita de fraude e uso de documentação falsa

De acordo com os investigadores, o mecanismo identificado é conhecido como “esquentamento” de ouro. A prática consiste em utilizar registros e notas fiscais para atribuir falsa legalidade a um produto extraído de forma ilegal, permitindo sua circulação no mercado formal.

O esquema, conforme apurado até o momento, envolveria tanto pessoas físicas quanto jurídicas. A atuação conjunta permitiria a emissão e o uso de documentação incompatível com a realidade das áreas de mineração declaradas.

Além da comercialização irregular do ouro, a Polícia Federal avalia a ocorrência de outros crimes associados ao esquema. Entre eles estão falsidade documental e lavagem de dinheiro, que costumam acompanhar esse tipo de prática criminosa.

Os materiais recolhidos durante o cumprimento dos mandados devem passar por análise técnica. A expectativa é que os dados auxiliem na identificação de todos os envolvidos e na compreensão da extensão do esquema.

Investigações continuam

A Polícia Federal informou que as investigações seguem em andamento. O objetivo é mapear toda a rede criminosa, apurar a participação individual dos suspeitos e verificar outros possíveis episódios relacionados ao mesmo modelo de atuação.

Conforme a PF, novas medidas não estão descartadas, a depender do avanço das análises e dos elementos reunidos nesta fase da Operação Lavra Fria. As informações são da própria Polícia Federal, responsável pela condução do inquérito.

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