A Operação Agro-Fantasma foi deflagrada na manhã desta quarta-feira (4), conforme divulgado pela Polícia Civil de Mato Grosso, para cumprir cinco mandados de busca e apreensão contra uma empresa agropecuária suspeita de aplicar golpes na compra de grãos na região oeste do Estado. As ordens judiciais, expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Cáceres, incluem ainda bloqueio de contas bancárias e indisponibilidade de bens móveis e imóveis dos investigados. A investigação é conduzida pela Delegacia de Comodoro, que apura crimes de estelionato e associação criminosa.
Os mandados da Operação Agro-Fantasma são cumpridos nas cidades de Cuiabá e Alto Taquari, além de Campo Grande (MS). Conforme apurado pela reportagem junto à Polícia Civil, a empresa se apresentava ao mercado com aparência de solidez financeira e oferecia supostas parcerias a produtores rurais, incentivando compras milionárias de grãos a prazo em nome das propriedades das vítimas.
Como funcionava o esquema investigado
Segundo a investigação, após conquistar a confiança dos produtores, o grupo realizava aquisições expressivas de grãos a prazo, revendendo os produtos à vista para indústrias. A promessa era de que os débitos seriam quitados posteriormente pela empresa. Nos primeiros meses, os pagamentos eram feitos regularmente, o que reforçava a credibilidade do negócio.
Com o tempo, no entanto, os investigados deixavam de honrar as dívidas contraídas, transferindo o prejuízo aos produtores. Em um dos casos apurados na Operação Agro-Fantasma, a inadimplência ultrapassa R$ 58 milhões, valor que impactou diretamente a atividade econômica da vítima.
O grupo também é suspeito de fraude fiscal e recebimento de créditos indevidos. Entre os bens alvo de sequestro judicial está uma aeronave avaliada em mais de R$ 5,8 milhões, além de veículos de alto padrão, como modelos das marcas Porsche e Dodge Ram, e um imóvel em condomínio de luxo.
O que diz a lei
O crime de estelionato está previsto no artigo 171 do Código Penal Brasileiro, com pena que pode chegar a cinco anos de reclusão, além de multa. Já a associação criminosa, descrita no artigo 288, prevê pena de um a três anos de reclusão. O bloqueio de bens e valores segue o que determina o Código de Processo Penal, como forma de assegurar eventual ressarcimento às vítimas.
Planejamento estratégico
A Operação Agro-Fantasma integra o planejamento estratégico da Polícia Civil para 2026, dentro da Operação Pharus e do Programa Tolerância Zero, voltados ao combate à criminalidade em todo o Estado. Segundo nota oficial, as medidas buscam interromper a continuidade das fraudes e garantir a recuperação de ativos.
Box informativo
- Operação: Agro-Fantasma
- Crimes investigados: estelionato, associação criminosa e possíveis fraudes fiscais
- Prejuízo identificado: superior a R$ 58 milhões em um dos casos
- Bens bloqueados: contas bancárias, imóveis, veículos de luxo e aeronave
- Cidades alvo: Cuiabá, Alto Taquari e Campo Grande (MS)
Reportagem baseada em informações oficiais divulgadas pela Polícia Civil de Mato Grosso e em decisões judiciais do Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Cáceres.
A Polícia Civil orienta que possíveis vítimas procurem a delegacia mais próxima para formalizar denúncia e colaborar com as investigações.
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