O legado de Celina Guimarães Viana e o desafio da representatividade feminina

Apesar de representar maioria do eleitorado, mulheres ainda ocupam poucos cargos de decisão.

Há mais de 90 anos, Celina Guimarães Viana, do Rio Grande do Norte, marcou a história ao depositar o primeiro voto feminino no Brasil.

A conquista, vista à época como encerramento da luta sufragista, na verdade iniciou uma caminhada contínua por direitos e representatividade.

Hoje, o panorama democrático mostra um paradoxo: mulheres correspondem a 52% do eleitorado, mas ocupam apenas cerca de 18% das cadeiras no Congresso Nacional e proporções similares nas casas legislativas estaduais. A diferença entre presença eleitoral e representação política evidencia que o voto por si só não garante igualdade de poder.

Como presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, é claro que garantir segurança, autonomia e dignidade à mulher vai além de legislação simbólica. Entre as iniciativas que já geram impactos concretos, destacam-se:

  • Lei nº 11.100: obrigatoriedade de auxílio a mulheres em situação de risco.
  • Lei nº 11.136: agressor ressarcindo o Estado pelos custos médicos decorrentes da agressão.
  • Lei nº 13.065/2025: prevenção à endometriose.
  • Programa Ser Família Mulher (Lei nº 11.222/2020): apoio para romper dependência econômica.

Essas medidas buscam transformar o discurso em resultados tangíveis, estruturando a proteção feminina de forma mensurável e com respaldo jurídico.

Bertha Lutz, ícone da luta pelo voto feminino, questionava a necessidade de gastar tanta energia protegendo mulheres em vez de mudar a cultura que as expõe ao risco. A resposta está na ocupação de espaços de decisão: presença feminina qualifica debates, humaniza políticas públicas e coloca a urgência da vida real no centro das decisões.

No ritmo atual, a paridade política plena levaria cerca de 140 anos para se concretizar. Frente a esse cenário, fortalecer a participação feminina e assegurar seus direitos é prioridade estratégica para um Estado mais justo e socialmente equilibrado. Garantir a voz e o espaço da mulher é também impulsionar desenvolvimento econômico e social.

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