Mulheres na Polícia Civil de Mato Grosso ganham espaço

Com 32% do efetivo, mulheres ampliam presença em investigações e cargos estratégicos na Polícia Civil de Mato Grosso.

Dados divulgados pela própria Polícia Civil de Mato Grosso mostram que a presença feminina na instituição tem crescido e se consolidado em funções estratégicas de investigação criminal. Atualmente, as mulheres na Polícia Civil de Mato Grosso representam 32,1% do efetivo policial — um total de 1.025 servidoras — enquanto os homens correspondem a 67,9% (3.193). Mesmo em menor número, policiais civis mulheres ocupam cada vez mais posições relevantes no enfrentamento à criminalidade, conforme levantamento institucional divulgado pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT).

A expansão da atuação das mulheres na Polícia Civil de Mato Grosso acompanha uma tendência observada em forças de segurança no Brasil, onde políticas de formação e concursos públicos vêm ampliando a participação feminina. Dentro da corporação mato-grossense, policiais atuam em setores como inteligência, investigação especializada e repressão ao crime organizado, áreas historicamente associadas ao trabalho masculino.

Trajetória profissional dentro da instituição

Um exemplo desse protagonismo é a delegada Bruna Laet. Integrante da instituição há mais de uma década, ela ingressou na carreira em janeiro de 2015 como investigadora de polícia. Após cerca de cinco anos e meio na função, tomou posse como delegada e passou a atuar em diferentes unidades da corporação.

Atualmente, Bruna exerce funções simultâneas como titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron) e da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) em Cáceres, no interior de Mato Grosso. As unidades trabalham diretamente com investigações ligadas ao crime organizado e a delitos transfronteiriços, considerados desafios estratégicos para a segurança pública do estado.

Segundo a delegada, o interesse pela carreira policial surgiu ainda durante a graduação em Direito, após contato com profissionais da área. “Passei a me interessar pela atividade policial e defini como objetivo prestar concurso para delegada de polícia”, relembrou em entrevista institucional.

Competências e desafios na carreira policial

Na avaliação da delegada, características frequentemente associadas à atuação feminina podem contribuir para o trabalho investigativo. “A mulher tem atenção especial e sensibilidade ao tratar cada caso. Também buscamos sempre chegar ao melhor resultado possível e não desistimos no meio do caminho”, afirmou.

Apesar dos avanços, ela reconhece que a carreira policial ainda carrega estigmas históricos. Em muitas situações, segundo relata, a sociedade ainda se surpreende ao ver uma mulher liderando investigações ou operações policiais.

Dentro da instituição, no entanto, a avaliação predominante é de que a capacidade profissional está relacionada principalmente à formação técnica, preparo e experiência operacional. “A eventual diferença de força física entre homens e mulheres não determina quem será um bom profissional. A Polícia Civil trabalha com técnica, e ambos podem desempenhar as mesmas funções com excelência”, destacou.

Ampliação da presença feminina

Especialistas em segurança pública apontam que ampliar a participação feminina nas forças policiais pode trazer impactos positivos na condução de investigações e no atendimento à população, especialmente em casos envolvendo violência doméstica, crimes sexuais e mediação de conflitos.

Na própria Polícia Civil, há expectativa de que novos concursos públicos aumentem gradualmente a participação das mulheres na Polícia Civil de Mato Grosso. Para a delegada Bruna Laet, incentivar a entrada de mais candidatas é fundamental para fortalecer a diversidade dentro da corporação.

“A Polícia Civil também é lugar de mulher. Quem deseja ingressar precisa manter o foco nos estudos, investir na preparação teórica e no preparo físico, que fazem parte das etapas do concurso e da carreira”, orientou.

Panorama da participação feminina

  • Efetivo feminino: 1.025 policiais civis
  • Participação no quadro total: 32,1%
  • Áreas de atuação: investigação, inteligência policial e delegacias especializadas
  • Órgão responsável: Polícia Civil vinculada à Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso

O crescimento da presença feminina reforça a tendência de modernização institucional e diversidade nas forças de segurança do estado, ao mesmo tempo em que evidencia a evolução do papel das mulheres em carreiras historicamente dominadas por homens.

 

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