Mulheres na ciência ganham espaço na Seciteci

Projetos, pesquisas e programas ampliam a presença feminina na ciência em Mato Grosso.

Conforme divulgado pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci), a presença de mulheres na ciência tem crescido em diferentes frentes da pasta em Mato Grosso, envolvendo pesquisa acadêmica, inovação tecnológica, formação profissional e projetos de impacto social. A atuação feminina se estende do ensino técnico ao desenvolvimento de soluções para o setor produtivo, fortalecendo a conexão entre conhecimento científico e demandas da sociedade.

Pesquisa e inovação conectadas ao mercado

No Parque Tecnológico Mato Grosso, servidoras atuam na interface entre ciência e negócios. Segundo a Seciteci, a agente de inovação Patrícia Seixas trabalha com inteligência artificial aplicada à melhoria de produtos, processos e serviços, aproximando universidades, centros de pesquisa e empresas.

De acordo com a pasta, essa articulação é estratégica para ampliar o impacto da produção científica e acelerar a transferência de tecnologia para o setor produtivo — um dos pilares das políticas estaduais de inovação.

Ciência com impacto social e territorial

Outra frente de atuação das mulheres na ciência em Mato Grosso está ligada à pesquisa com impacto direto nas comunidades. A professora e pesquisadora Cristiane Pereira dos Santos desenvolve um projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat) para mapear plantas medicinais tradicionais e aquelas reconhecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O estudo envolve cerca de 40 estudantes do curso técnico em Farmácia e inclui:

  • Levantamento de espécies medicinais utilizadas no estado;
  • Pesquisa sobre formas de extração e produção de extratos;
  • Desenvolvimento experimental de cápsulas fitoterápicas;
  • Integração entre conhecimento tradicional e científico.

Segundo a Seciteci, a iniciativa busca valorizar saberes locais e ampliar possibilidades de inovação em saúde, ao mesmo tempo em que incentiva a formação científica de jovens pesquisadoras.

Protagonismo feminino nas escolas técnicas

Nas Escolas Técnicas Estaduais (Etecs), o protagonismo das mulheres na ciência aparece em projetos de iniciação científica e inovação. Estudantes participam de pesquisas aplicadas, apresentações em eventos científicos e desenvolvimento de tecnologias.

Entre os projetos em andamento, há estudos sobre extração de nanocristais de celulose, com foco em sustentabilidade e novos materiais, além de atividades voltadas ao trabalho em equipe e à formação profissional em áreas tecnológicas.

Reconhecimento e políticas públicas

Dados oficiais da Seciteci mostram avanço no reconhecimento das pesquisadoras. Durante a 21ª e a 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) em Mato Grosso, 34 cientistas foram premiadas. O número saltou de 10 homenageadas na 21ª edição para 24 na 22ª — crescimento superior a 100%.

Em 2025, a programação incluiu novas ações de visibilidade, como a categoria “Pesquisadora Destaque” e a roda de conversa “Mulheres na Ciência”.

Segundo o secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação, Allan Kardec, ampliar a participação feminina é estratégico para o desenvolvimento estadual. “São mulheres pesquisando, ensinando, criando tecnologia e liderando projetos conectados às demandas reais da sociedade”, informou em nota oficial.

Formação e autonomia

Além da pesquisa, a Seciteci executa programas voltados à qualificação profissional, como o Programa Mulheres Mil, realizado em parceria com o Governo Federal. A iniciativa oferece cursos alinhados às vocações econômicas regionais, com foco em autonomia financeira e inclusão produtiva.

As ações ganham destaque em fevereiro, mês que marca o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, data reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) para incentivar a igualdade de gênero nas áreas científicas e tecnológicas.

Por que isso importa

Dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) indicam que mulheres representam cerca de 33% dos pesquisadores no mundo. Iniciativas locais que ampliam o acesso, a permanência e o reconhecimento feminino são consideradas fundamentais para reduzir desigualdades históricas no setor.

Reportagem baseada em informações oficiais da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci) e dados institucionais da Fapemat e Unesco.

Box informativo

  • Órgão responsável: Seciteci-MT
  • Fomento à pesquisa: Fapemat
  • Evento de reconhecimento: Semana Nacional de Ciência e Tecnologia
  • Programa social: Mulheres Mil
  • Contexto global: Mulheres representam cerca de 1 em cada 3 pesquisadores no mundo (Unesco)

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