MPF apura destruição ambiental em fazenda de Porto dos Gaúchos

Inquérito civil investiga supressão de vegetação nativa em área protegida após autos do Ibama indicarem dano ambiental expressivo em propriedade rural.

A destruição de 781,76 hectares de vegetação nativa em uma área de preservação especial levou o Ministério Público Federal a abrir um inquérito civil no município de Porto dos Gaúchos, no interior de Mato Grosso. A medida busca apurar responsabilidades e garantir a reparação integral do dano ambiental registrado na Fazenda Saudade V.

A investigação foi formalizada por portaria assinada pelo procurador da República Guilherme Fernandes Ferreira Tavares e publicada no Diário Oficial na segunda-feira (12). O procedimento tem como base a constatação de supressão irregular de vegetação nativa em uma área considerada sensível do ponto de vista ambiental, o que, segundo o MPF, exige resposta imediata dos órgãos de controle.

Os elementos que sustentam a abertura do inquérito incluem autos de infração e termos de embargo lavrados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis em 6 de setembro de 2024. Além desses documentos, o Ministério Público incorporou ao procedimento informações obtidas em um processo administrativo anterior relacionado à mesma propriedade.

De acordo com o órgão ministerial, o conjunto probatório reunido até o momento é suficiente para justificar a instauração de um procedimento formal. Embora as sanções aplicadas pelo Ibama tenham natureza administrativa, elas são consideradas provas relevantes para a apuração da responsabilidade civil ambiental dos envolvidos no caso.

O foco da atuação não se limita à eventual punição dos responsáveis. Conforme pontua o MPF, a prioridade é assegurar a recomposição do ecossistema afetado, diante da extensão e da relevância ambiental da área degradada. A avaliação técnica preliminar indica que o dano pode comprometer funções ecológicas essenciais se não houver intervenção adequada.

Reparação ambiental e fundamentos legais

Na fundamentação do inquérito, o procurador destaca que a Constituição Federal garante a todos o direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Esse princípio impõe ao poder público e à coletividade o dever de proteger e preservar os recursos naturais, com vistas à manutenção da biodiversidade para as gerações atuais e futuras.

Dentro desse contexto, o procedimento busca identificar com precisão os autores do desmatamento e definir as medidas técnicas necessárias para a recuperação da área. Entre as possibilidades analisadas estão o plantio de espécies nativas compatíveis com o bioma local e a restrição total da propriedade para atividades econômicas enquanto perdurar o processo de recomposição ambiental.

O acompanhamento do caso será feito de forma contínua para evitar que a degradação se torne irreversível. O MPF ressalta que a efetividade das ações dependerá do cumprimento rigoroso das determinações que venham a ser adotadas ao longo da investigação.

Como parte dos próximos passos, o inquérito será supervisionado pela 4ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF, especializada em temas ambientais. Entre as diligências iniciais já determinadas está a certificação, nos autos, do andamento de uma solicitação de perícia técnica, cujo laudo deverá quantificar o impacto ambiental e embasar eventuais medidas judiciais contra os responsáveis, conforme informações do próprio Ministério Público Federal.

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