Mato Grosso registra 52 feminicídios em 2025; maior índice dos últimos cinco anos

Otaviano Pivetta reconhece que políticas públicas não reduziram os casos e aposta em medidas de médio prazo sem metas definidas.

O vice-governador Otaviano Pivetta admitiu nesta terça-feira que os feminicídios seguem em patamar elevado em Mato Grosso, mesmo após o reforço de políticas públicas anunciadas pelo Executivo. A declaração foi feita durante entrevista, na qual ele reconheceu que os resultados ainda não acompanham o esforço do governo para conter a violência contra a mulher.

Segundo Pivetta, o cenário é “lamentável” e demonstra que as ações adotadas até agora não produziram uma mudança concreta no quadro. Ele afirmou que o Estado tem atuado para enfrentar a criminalidade, com foco no feminicídio, mas reconheceu que os números continuam altos e não refletem o trabalho que vem sendo desenvolvido.

Durante a conversa, o vice-governador afirmou ter confiança em um cenário diferente no futuro, embora não tenha apresentado prazos ou metas objetivas. Para ele, as medidas capazes de gerar impacto mais consistente são de médio e longo prazo, especialmente aquelas voltadas à autonomia econômica das mulheres.

Entre as iniciativas citadas está a criação do Gabinete da Mulher, anunciado como um espaço de articulação entre secretarias estaduais. De acordo com o vice-governador, o órgão deve começar a funcionar no início do próximo ano, com a missão de integrar políticas voltadas à qualificação profissional, inserção no mercado de trabalho e geração de renda para mulheres e jovens.

Pivetta explicou que a proposta é envolver diferentes áreas do governo para preparar mulheres para o trabalho formal, como estratégia de redução da dependência econômica e da vulnerabilidade social. Apesar do anúncio, ele não detalhou como será a atuação prática do gabinete nem quais resultados são esperados a curto prazo.

Outra frente mencionada foi a ampliação de programas habitacionais voltados às mulheres, especialmente mães solo. Segundo o vice-governador, a ideia é estimular o acesso à moradia própria por meio de subsídios do Estado, como forma de oferecer maior segurança e estabilidade às famílias chefiadas por mulheres.

Assim como em outras medidas citadas, não foram apresentados critérios, volume de recursos ou alcance das ações habitacionais. Ainda assim, Pivetta voltou a defender que políticas estruturantes são fundamentais para alterar o cenário de violência, mesmo reconhecendo que os efeitos não são imediatos.

Apesar do discurso de confiança, o próprio vice-governador reconheceu que os casos continuam ocorrendo em diferentes regiões do Estado. Ele afirmou que há políticas em funcionamento e outras em fase de criação, todas com o objetivo de ampliar a proteção às mulheres e evitar que os crimes continuem.

Até o momento, o Estado contabiliza 52 feminicídios em 2025, o maior número desde 2020, quando foram registrados 62 casos. Os dados reforçam o contraste entre o esforço anunciado pelo governo e os resultados efetivos alcançados, conforme reconhecido pelo próprio vice-governador durante a entrevista.

As declarações foram feitas pelo vice-governador em entrevista, conforme informações divulgadas pelo Governo do Estado, e indicam que novas ações ainda dependem de implementação para que possam produzir efeitos concretos no enfrentamento à violência contra a mulher.

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